Design e Construção
O 388 partilha o mesmo casco com núcleo de balsa do 385, uma forma que não foi alterada porque o casco funcionou tão bem, apresentando um molde interior de subestrutura e uma enorme antepara moldada com laminado angular. A ligação casco-convés é parcialmente laminada, e a obra viva do casco é totalmente laminada, acabada com gelcoat de ácido isftálico sobre uma primeira camada de resina de viniléster. Acima da linha de água, o sanduíche de fibra de vidro com núcleo de balsa possui seis grandes vigias no casco e seis vigias na superestrutura, e o convés ganhou mais vidros do que o 385, juntamente com um tratamento de tambucho completamente invulgar: painéis de vidro escurecidos cobrem o teto parcialmente recortado e a antepara do tambucho, além da escotilha deslizante. A quilha padrão é uma quilha em L profunda, alguns centímetros mais baixa do que a do 385, com uma pala do leme autoportante e uma única pala profunda suportada por uma ligação de cabo de aço ao quadrante. (1)
Aparelho e Manobras
A facilidade de navegação define o 388. A buja auto-virante, típica do estaleiro desde o início dos anos 90, funciona com uma escota da grande fixada a pontos fortes na casaria e guiada à frente do tambucho, para que o timoneiro tenha sempre a escota em ambos os lados ao alcance de ambas as rodas. Todas as adriças, escotas e cabos do punho da esteira passam pelo convés e pelas braçolas do poço através de mordedores Spinlock para dois molinetes Lewmar montados a popa dentro do raio de acção do timoneiro, e os cabos desaparecem em caixas de arrumação. Não existe um carro da escota da grande, o que limita as afinações finas, e o aparelho possui dois pares de cruzetas longas com opção de enrolador disponível. Escrevendo na revista Yacht, os velejadores de teste consideraram que o barco governa de forma bastante direta com apenas uma volta completa, alcançando até 7 nós num rumo de largo com um ângulo de viragem por avante de 90 graus com 11 a 12 nós de vento, enquanto a Yachting Monthly registou 6,3 a 6,6 nós à bolina e fez uma viragem por avante de 80 graus em águas calmas, com o velocímetro a ultrapassar os 7 nós quando arribou. A pequena buja auto-virante contribui para um fator de carga vélica apertado de 4,2, e esta afasta-se instantaneamente do rumo quando o vento aumenta; a Hanse oferecia uma opção de genoa com carris longitudinais e, atualmente, prefere um código zero crossover para condições mais leves ou de vento forte. (2)
Acomodações
No interior, o 388 foi completamente redesenhado na aparência, com uma disposição variável. Duas camarotes e um roupeiro acessível a estibordo são de série, e o cliente pode encomendar um segundo camarote de popa em vez do grande camarote de proa; está disponível uma versão de três camarotes com um segundo camarote duplo de popa a estibordo, e um segundo WC pode ser instalado a proa. A cozinha padrão é gigantesca na sua versão longa, reduzindo-se às dimensões normais na disposição curta, com uma configuração em L e um grande frigorífico que oferece acesso frontal e superior. A mesa de cartas pode ser descida e almofadada para ampliar o beliche. A luz natural é generosa através das vigias do casco e do convés, além de duas escotilhas no convés de proa e vidros adicionais em duas das três escotilhas do convés, embora os testadores tenham observado uma ventilação cruzada fraca no salão. O camarote de popa a bombordo é acabado para conforto e volume, com janelas de abrir e fixas, mas o seu armazenamento aberto é demasiado pequeno e pouco profundo para uso no mar, e as prateleiras dos camarotes em todo o barco receberam a mesma crítica.
Problemas Conhecidos e Notas de Propriedade
Os molinetes padrão de 40 mm levantaram a nota de um testador de que funcionam no limite inferior, sendo preferível o de 45 mm. O 388 vinha equipado com um saildrive Yanmar SD25, o mais pequeno dessa gama, que requer manutenção a cada 100 horas contra as 200 das unidades maiores, e a sua vedação do saildrive deve ser substituída a cada sete anos. Os proprietários e peritos assinalaram válvulas de passagem acessíveis que atravessam o laminado maciço onde o núcleo de balsa faz a transição para uma única pele, mas também madeiras interiores deixadas com veios vivos e superfícies totalmente folheadas que carecem de cantoneiras sólidas, e uma mesa de cartas sem regulagens.
O Veredicto
O Hanse 388 é um cruzeiro cuidadosamente atualizado que mantém um casco comprovado ao mesmo tempo que moderniza o convés e os espaços habitáveis em torno de uma navegação fácil com tripulação reduzida. A sua configuração auto-virante, os dois postos de governo e o tambucho desimpedido tornam-no um companheiro agradável para navegação costeira e de alto-mar, embora os detalhes de arrumação e ventilação revelem os limites das prioridades do projeto.
Prós
- Casco com alma de balsa comprovada e sem alterações do 385, com boca moderna e quilha profunda
- A configuração com buja auto-virante e escota da grande no teto da cabine mantém a navegação fácil com tripulação reduzida
- Interior luminoso e renovado, com disposições variáveis de camarotes e uma grande cozinha
- Governo direto e forte desempenho a navegar de largo com ventos fracos
Contras
- Molinetes padrão no limite inferior da adequação
- Ventilação cruzada fraca no salão e arrumação de cabine pouco profunda e pequena
- O saildrive Yanmar SD25 exige uma manutenção de 100 horas e substituição do vedante a cada sete anos
- Carpintaria apenas em folheado com veios de madeira não selados






