Design e Linhagem
Perry desenhou o 37 com uma elegante popa do Báltico — fortemente inspirada no Holger Danske de Aage Nielsen, vencedor da Bermuda Race de 1980 — e gravou as costuras das tracas moldadas no casco de fibra de vidro, com um luxuoso acabamento em teca tanto no interior como no exterior, conforme registou a revista Practical Sailor. O próprio casco é feito de PRFV maciço laminado à mão, com um perfil de quilha corrida e um pé de roda recortado abaixo da linha de água, combinado com um leme do tipo Constellation em vez de uma forma tradicional semelhante a uma porta de celeiro. Com 36 pés e 8 polegadas de comprimento total (LOA) para uma linha de água de 31 pés, 11 pés e 6 polegadas de boca e 22 500 libras de deslocamento com 8000 libras de lastro de ferro, o veleiro apresenta-se como um cruzeiro de quilha corrida e deslocamento pesado, amplamente considerado uma referência para viagens oceânicas. (1)
Construção e Acomodações
Os primeiros cascos foram construídos com uma camada de fibra de vidro maciça notavelmente pesada, um ponto de orgulho para muitos proprietários. Os conveses apresentavam uma sobreposição de teca sobre um núcleo de balsa ou contraplacado, e o interior é todo em teca — uma extensa marcenaria maciça que os peritos classificaram entre as melhores alguma vez vistas, com juntas impecáveis, portas paineladas e gavetas com encaixe de fêmea. Cada barco era construído à medida, pelo que não existia um interior padrão único, embora uma disposição comum colocasse um camarote de proa em V, uma casa de banho e armários a popa deste, um sofá em U a bombordo na cabine principal, um sofá reto e beliche de guarda a estibordo, e uma cozinha em U a bombordo com mesa de cartas e beliche de popa a estibordo. O interior provavelmente vendeu mais barcos do que qualquer outra característica.
Aparelho e Manobras
O aparelho padrão é um cúter com aparelho à testa do mastro, com mastros de madeira assentes no convés sobre uma coluna de compressão substancial, mas também estava disponível um aparelho ketch, e os barcos foram construídos com mastros de madeira ou alumínio, assentes no convés ou na quilha. Perry recomendava vivamente o cúter de alumínio e, em contraste com o mastro de madeira — com a sua secção maciça, paredes extremamente grossas e um grande nó visível ao nível das cruzetas num dos mastros examinados —, os aparelhos de alumínio da França, Nova Zelândia e EUA são muito bem proporcionados. Com a escota a meia-braça, o mastro de madeira flete como uma elástica, complicando a forma da vela grande, e o carro da escota da esteira é demasiado frágil para um barco deste tamanho. Perry desenhou um plano vélico invulgarmente de elevado aspeto, com uma inclinação significativa do mastro, resultando num bom desempenho em todos os rumos; com o aparelho de alumínio, um carro da escota da grande com rolamentos e velas bem cortadas, o veleiro é surpreendentemente rápido. Apesar de uma relação lastro-deslocamento de 33 %, não é rígido, devido aos pesados trabalhos de carpintaria e fibra de vidro acima da linha de água, que elevam o centro de gravidade — uma tendência Perry chama de qualidade, pois suaviza o seu adornar. Muitos proprietários relatam uma ardentia considerável e, abaixo dos 10 nós, o barco pode ser lento, dependendo maioritariamente de uma genoa grande ou de uma burca de cruzeiro. (1)
Problemas Conhecidos
Os depósitos originais de combustível e água em ferro preto são uma preocupação conhecida relacionada com a idade. Um depósito de ferro preto de 90 galões está montado sob o âncora do camarote de proa em V; um depósito de proa cheio com pesado equipamento de fundear produz um adornamento de proa visível para baixo, razão pela qual a pressão dos proprietários trouxe depósitos opcionais a meia-nau. A caixa do motor é totalmente removível para manutenção, mas não existe acesso fácil à varinha de óleo. O longo retranca da traquetinha dificulta a passagem para a proa, e os rolos duplos de âncora na plataforma do gurupés alojam os cabos de adriça (CQRs), mas o carro da traquetinha padrão é uma haste simples de aço inoxidável. (2)
Remodelações e Propriedade
Três motores têm equipado o 37 — o Yanmar 3QM30, o Perkins 4-108 e o Volvo MD17C, sendo que o Yanmar passou a ser o padrão mais tarde — e a maioria dos barcos possui motores diesel de 30 a 50 cv, proporcionando um cruzeiro calmo de 5,5 a 6 nós, propenso a adornar excessivamente se for muito pressionado. Muitos vinham originalmente equipados com velas Lam Sails de Hong Kong, elásticas e de fraca forma. O poço é pequeno mas seguro no mar, com imbornais de quatro cantos e passa-cascos; a falta de uma braçola na popa prolonga os assentos para dormir no convés, à custa de um leme molhado com mar de popa.
O Veredicto
O Tayana 37 é um veleiro de cruzeiro Perry de estilo tradicional e construção robusta, cujos interiores em teca personalizados e o seu pedigree de navegação oceânica continuam a resistir ao tempo. Recompensa uma marinharia paciente com ventos fracos e uma inspeção cuidadosa dos depósitos e do aparelho, em detrimento da velocidade pura.
Prós
- Casco sólido laminado à mão com acabamentos em teca consistentemente finos
- Aparelho de cúter de elevado aspeto proporciona bom desempenho quando devidamente aparelhado
- Geometria de convés segura com bulhões, duplos guarda-mancebos e púlpitos substanciais
Contras
- Mastro de madeira mal proporcional; calha do cabo do punho da esteira frágil
- Depósito de ferro preto à proa induz uma tendência para a proa cair
- Blando inicialmente; ardência notória segundo os proprietários









