Design e Construção
O deslocamento do mastro para o ponto de 43 % para abrir um triângulo de proa maior forçou a Lagoon a deslocar também o centro de flutuação dos cascos para a ré, e o aparelho posicionado mais a popa trouxe, teoricamente, proas mais finas, mais flutuabilidade a popa e melhor visibilidade a proa, segundo Marc Van Peteghem da VPLP. O suporte do aparelho exigia uma grelha grande, rígida e reforçada, oculta dentro da cabine e do casco, além de um forte pilar de compressão central, enquanto uma travessa de aço galvanizado inserida no reforço compósito transmite os esforços através das anteparas até aos cascos. O casco e o convés com alma de balsa infundidos a vácuo — com fibra de vidro maciça abaixo da linha de água — devem disfrutar de uma longa vida útil, e os contra-moldes interiores são em fibra de vidro maciça ou sanduíche com revestimento laminado em madeira Alpi, com teca disponível como opção. O estaleiro é conhecido pela instalação elétrica e de canalização adequada, com bom acesso aos sistemas e motores.
Aparelho e Manobras
A posição do mastro à popa resulta numa retranca curta, o que por sua vez exigia um aparelho mais alto para recuperar a área vélica perdida; esse aparelho alto revelou-se eficiente, sendo fácil de caçar, içar e enrolar a vela grande, embora o molinete de adriça elétrico padrão continue a ser essencial. As velas de proa com enrolador comportam-se bem, e o aparelho posicionado a popa teoricamente proporciona uma vela grande mais elegante, menos arfagem devido a um peso melhor centrado, ângulos de brandais mais abertos com menor compressão e uma retranca mais curta para facilitar as cambadas e o rizar. Com o posto de governo na base do mastro no flybridge, as adriças e escotas caem naturalmente ao alcance da mão, e um pedestal central espalha os visores eletrónicos a proa enquanto a roda de leme vira para estibordo, bombordo ou centro. O teto estrutural rígido do flybridge permite o acesso a pé à retranca, mesmo para velejadores mais baixos. Sob vela, o 52 passava pelo vento suavemente nas viradas por avante e acelerava bem, embora, num teste publicado na Boat Review: Lagoon 52, o piloto tenha considerado a resposta do leme um pouco vaga ao manter o melhor ângulo. Em marés curtas de 5 a 7 pés, o movimento era vivo, mas as manobras em águas restritas eram simples e previsíveis, com o catamarã a parar, a recuar e a virar como deve ser. A motor, os 8 nós eram alcançados facilmente a 2400 rpm com um nível de ruído baixo de 62 dBA.
Acomodações
A vida a bordo segue a filosofia da Lagoon de máximo conforto, facilidade de manobra e vigias verticais na casaria. As grandes portas de correr fundem o poço e o salão num único espaço sem barreiras, e o interior é acolhedor para velejadores altos em todo o barco, com um pé-direito de 2,05 m (6 pés e 9 polegadas) e beliches de 2,05 m por 1,60 m (6 pés e 9 polegadas por 5 pés e 3 polegadas). A disposição de quatro camarotes testada por um revisor apresentava beliches duplos agradáveis a proa com casas de banho e duches privativos, enquanto os dois camarotes de popa qualificavam-se como camarotes do armador ou VIP — o lado de estibordo um espaço luminoso com uma grande cabine de duche e lavatório com paredes de vidro, a casa de banho separada perto da mesa de toucador, e o camarote de bombordo com a sua própria entrada direta para o poço. O camarote do armador parece um quarto de hotel de luxo. Uma mesa de cartas central desfruta de uma vista panorâmica para navegar à distância com mau tempo, e uma grande mesa de jantar com uma cozinha bem equipada completa o plano. A casaria tem uma silhueta fluida e um grande solário, e o posto de governo no salão, encostado à antepara de popa, facilita a navegação, opcionalmente fechado por uma porta pivotante com mau tempo. O número de lugares para dormir varia entre 6 e 14, e a certificação CE abrange 14 pessoas nas classes A e B, 16 na classe C e 30 na classe D.
Desempenho à Vela
O deslocamento moderado e a área vélica moderada ainda produziam velocidades respeitáveis. A vela grande de cabeça quadrada opcional e o Code Zero do barco de teste levavam-no aos 10–11 nós num rumo de través com ventos de 18–20 nós, contra cerca de 9 nós sob a buja auto-virante. Os relatórios dos proprietários sobre as entregas no Atlântico citam dias comuns de 200 milhas e uma melhor tirada de 220 milhas. A versão SporTop de 2016 dispensou o flybridge para poupança de peso, menor resistência aerodinâmica e um garlindéu mais baixo, enquanto a revista Multihulls World considerou que a vela grande de cabeça quadrada e a genoa sobreposta do pacote VMG eram a fórmula certa.
O Veredicto
O Lagoon 52 é um navio-almirante pensado para ser operado pelo proprietário: o seu aparelho recuado e a grelha oculta demonstram uma verdadeira intenção de design, as acomodações são genuinamente luxuosas em várias disposições e as velocidades nas travessias do Atlântico confirmam a capacidade de navegação oceânica sem tripulação. O leme vago e o movimento vivo em mares curtos são o preço a pagar pelo seu tamanho e inovação.
Prós
- Aparelho com as velas recuadas, proporcionando um triângulo de proa maior e uma âncora eficiente no mastro alto
- Estrutura de apoio reforçada oculta em grelha e suporte para travessas de aço
- Disposições luxuosas com várias cabines e mesa de cartas panorâmica
- Expedições transatlânticas com jornadas de 200 milhas sob relatos de proprietários (1)
Contras
- Resposta do leme um pouco vaga ao navegar no melhor ângulo de vento para ancorar
- Movimento vivo em mares curtos de 5 a 7 pés de altura (1)






