Design e Construção
Shaw incorporou muitas características dos designs CCA do final da década de 1960, evitando as distorções mais visíveis do IOR utilizadas pelos seus contemporâneos mais competitivos. Os testadores da época notaram que ele desenhou as linhas evitando as regras de design do IOR para uma estética mais prática, segura, fácil de navegar e confortável para o cruzeiro. O casco apresenta uma roda de proa reta, borda livre mais alta e uma linha de arrufo mais plana, típicas de barcos projetados sob o IOR, mas a boca moderada de 10 pés — para uma linha de água de 27 pés e 6 polegadas, resultando numa relação boca-comprimento de 0,36 — mantém o perfil conservador em vez de exagerado. Sob a água, a documentação indica uma quilha corrida num relato e uma quilha de aleta com leme sobre skeg noutro, ambas construídas em PRFV maciço com 4500 libras de lastro de chumbo contra um deslocamento de 12800 libras, resultando numa relação lastro-deslocamento de 35,2 %; verifique o perfil específico de qualquer candidato. (1)
Aparelho e Manobrabilidade
O 323 possui um aparelho sloop à testa do mastro com um triângulo de proa muito grande, onde a medida J é substancialmente mais longa do que a medida E, e uma área vélica total de 477 pés quadrados — o plano vélico mais pequeno entre os seus pares. Essa área em relação ao deslocamento resulta numa relação área vélica-deslocamento (SA/D) de 13,9 a 14,0, que os críticos interpretam como fraca, sugerindo que o barco precisa de uma brisa forte para começar a andar. A conservadora relação deslocamento-comprimento (D/L) de 275 marca-o como um cruzeiro de deslocamento moderado a pesado que transportará equipamento de cruzeiro sem afetar drasticamente o desempenho, enquanto o coeficiente de capotagem de 1,7 e o coeficiente de conforto de 31,8 colocam o seu comportamento no intervalo previsível de um cruzeiro oceânico moderado, em vez de um veleiro ligeiro para passeios diários.
Acomodações
O interior é espaçoso e o barco pode acomodar até cinco pessoas. Uma versão inicial do 323 substituiu um beliche de popa a estibordo em vez de uma mesa de cartas, mas nenhuma outra versão foi construída pela Pearson Yachts para além desse detalhe. A imprensa náutica deu geralmente críticas positivas, elogiando a sua praticidade, conforto, segurança e facilidade de navegação. Um proprietário de longa data que escreveu no SailNet incentivou vivamente qualquer pessoa a considerar comprar um destes barcos, acrescentando que, apesar das formas atuais de adquirir quase qualquer veleiro, o carinho pelo 323 tornava a venda impensável.
Contexto de Propriedade
A produção terminou em 1983 após oito anos e 385 unidades construídas, e o modelo já não está em produção. A própria Pearson Yachts, tendo sido pioneira na construção em fibra de vidro e produzido muitos modelos de sucesso, enfrentou dificuldades financeiras no final dos anos 80 e início dos anos 90, vendeu os seus ativos à Cal-Pearson Corporation em 1991 e cessou as operações em 1997. Muitos dos 385 cascos continuam hoje em mãos apaixonadas. (1)
O Veredicto
O Pearson 323 é um design Shaw convencional e bem pensado que troca a velocidade pura por uma plataforma de cruzeiro tolerante e comportada. A sua boca moderada e o lastro pesado conferem uma estabilidade suave no mar, enquanto o plano vélico modesto exige vento em vez de brilho com pouco viento. Para quem procura um veleiro de cruzeiro costeiro sólido e prático, com uma estética derivada do CCA e um interior espaçoso, poucos barcos de fibra de vidro do final dos anos 1970 cumprem melhor este programa.
Prós
- Coeficiente de capotagem conservador e coeficiente de conforto adequado ao movimento típico do mar alto
- Interior espaçoso que acomoda até cinco pessoas com opção de mesa de cartas na disposição inicial
- As linhas não IOR de Shaw envelhecem graciosamente sem extremos distorcidos
Contras
- A baixa relação área vélica-deslocamento deixa-o lento até que o vento refresque
- As descrições da quilha corrida ou de aleta variam; verifique o perfil subaquático em qualquer candidato
- Recomenda-se rizar cedo, dada a relação lastro-deslocamento de 35,2 sem o reforço do bolbo












