Design e Construção
O que distingue o Goderich 35 estruturalmente é o seu uso precoce do sistema de casco metálico com quina de raio, que Brewer descreveu como provavelmente o primeiro do seu género. O raio de quina suaviza gradualmente de 30 polegadas à proa para 26 polegadas à popa, e o próprio casco é soldado a partir de chapa de aço laminada em rolo com quina de raio na sentina, entre chapas mais planas nas laterais e no fundo, sendo depois acabado com tinta de uretano. As cavernas são membros transversais amplamente espaçados, reforçados por vaus longitudinais de barras planas muito próximas. O barco é construído predominantemente em aço com acabamentos em madeira e, para controlar a condensação interior, o casco é isolado com espuma de uretano. Com um deslocamento de 17 000 libras e 6 200 libras de lastro de chumbo numa linha de água de 28 pés e 3 polegadas, apresenta uma relação lastro-deslocamento próxima dos 37 %, uma cifra que os proprietários relatam, conferindo-lhe o tipo de massa e estabilidade que se espera de um cruzeiro de quilha corrida em alto-mar. (1)
Aparelho e Manobrabilidade
O Goderich 35 é um sloop de cruzeiro com duas velas de proa que muitos chamam de cúter, sendo o aparelho padrão um cúter-sloop com uma traquetinha montada na retranca e sem gurupés. Alguns cascos saíram do estaleiro como ketches e vários foram alongados para 37 pés com um lançamento de popa prolongado. A geometria das obras vivas apresenta uma quilha corrida modificada fixa com um pé de roda recortado, combinada com um leme acoplado à quilha sobre uma cana do leme — uma disposição que, juntamente com a roda de proa inclinada e o espelho de popa vertical, a caracteriza como um casco de alto-mar tradicionalista, em vez de um velejador reativo com quilha de aleta.
Pedigree de Alto-Mar
As credenciais do design não são teóricas. Dois Goderich 35 completaram circum-navegações globais da forma mais dura, passando por baixo do Cabo da Boa Esperança, Austrália e Cabo Horn. O Globe Star de Marvin Creamer partiu de Cape May a 21 de dezembro de 1982 e terminou a 17 de maio de 1984, após 18 meses e 11 meses efetivamente no mar, transportando um sextante e uma bússola selados num compartimento que permaneceu fechado e mantendo o tempo apenas com uma ampulheta. O Nomad de alumínio de Ed Arnold foi navegado até à Europa, depois em redor do Cabo Horn até Sitka, e mais tarde completou uma circum-navegação a solo entre 1 de outubro de 2001 e 6 de setembro de 2002, fazendo uma paragem na Cidade do Cabo para reparações de icebergues e em Adelaide para trabalhos no radar da âncora. (2)
Acomodações
No interior, o Goderich 35 oferece um camarote de proa em V, dois beliches do salão na cabine principal e um beliche de guarda-mancebo a estibordo no compartimento de popa. A cozinha situa-se a bombordo, ao pé do tambucho, equipada com um fogão de três bicos, enquanto a casa de banho fica à proa, com portas independentes para a cabine principal e para o camarote de proa. A ventilação é assegurada por cinco vigias de abrir, cinco portilhos e uma escotilha da cabine principal — um plano de ventilação prático para um casco de aço em climas quentes.
O Veredicto
O Goderich 35 é um veleiro de cruzeiro em aço sério, com um genuíno pedigree de quina de arrufo e provadas credenciais para a volta ao mundo. Exige o cuidado que qualquer barco metálico requer, mas recompensa-o com um comportamento no mar estável graças ao lastro e um interior prático e ventilado.
Prós
- Construção pioneira de casco de aço com quina redonda, construível por metalúrgicos amadores
- Historial comprovado de circum-navegações, incluindo rotas pelo Cabo Horn
- Aparelho tradicional de cúter e quilha corrida com governo de cana do leme
- Alojamento de cruzeiro prático e bem ventilado
Contras
- O casco de aço exige manutenção de pintura e isolamento para evitar infiltrações
- As canas do leme e as quilhas longas limitam as manobras em portos apertados em comparação com os lemes de pala modernos







