Design e Construção
O casco do 387 é construído em fibra de vidro maciça E e S laminada manualmente com resina vinilester, e o convés tem alma de balsa com fibra de vidro maciça nas zonas onde estão montados os acessórios e as âncoras aparafusadas transpassantes. Os vaus de espuma de alta densidade são laminados ao casco e os cadenotes de bolinha e soquete são deixados expostos no interior para que se possa ver como se ligam a uma grelha estrutural de carga no casco. A Catalina construiu todos os moldes novos para este modelo, exceto o da geleira, e as velas de trabalho do estaleiro são fabricadas internamente em vez de serem compradas. (1)
No convés, a disposição das ferragens mostra uma clara tendência para manter a água fora da estrutura. As calhas da genoa têm doze pés de comprimento e são elevadas acima do convés para ficarem livres de águas estagnadas, e os cunhos de amarração ao longo da regala são elevados da mesma forma. A maioria dos parafusos do equipamento de convés aponta para placas de reforço metálicas coladas no convés, o que reduz os furos através do convés e as vias de infiltração, enquanto os moitões de escota da grande e os candeleiros são aparafusados por dentro para maior segurança. Os guarda-mancebos estão firmemente montados e situam-se mais alto do que o padrão, e o passa-mãos sobre a casaria está elegantemente embutido. (1)
Aparelho e Manobrabilidade
O mastro assente no convés é apoiado por brandais de um único ponto à popa e por um topete, além de um brandal de apoio (babystay), e os cadenotes são internos para não ficarem no caminho dos passos. As adriças, os cabos de rizar, o cabo do punho da esteira e o cunningham correm até ao poço através de uma consola de paragem de escotas sobre a casaria, sendo que esta consola é a mesma unidade utilizada em toda a gama Catalina. O plano de velas padrão consiste numa buja enrolável com uma vela grande com talas completas e um sistema de recolha rápida (Dutchman), enquanto a enrolação na retranca ou no mastro eram oferecidas como opções.
Em navegação, os velejadores de teste consideraram-na muito manobrável num exercício de homem ao mar e, a motor, rodava sobre si própria em ambas as direções sem tocar no acelerador. O barco de teste registou 5,8 nós a 2000 rotações por minuto e, à medida que o vento subiu para 18 nós, a velocidade aumentou nos 7s; comportou-se bem tanto à bolina como à popa, sendo avaliado como um cruzeiro costeiro satisfatório. (1)
Acomodações
O poço é o maior que o testador conhecia num cruzeiro deste tamanho, com bancos de nove pés que acomodavam catorze pessoas sentadas ou seis em descanso. Do plinto de banho, acedem-se dois armários de arrumação e dois armários no poço, e um suporte embutido no espelho de popa mantém o motor do anexo seguro e fora da linha de visão.
No interior, o salão é aberto de ponta a ponta em vez de dividido por paredes de arrumação, com um pé-direito de 2,05 metros (6 pés e 9 polegadas) e várias vigias fixas e de abrir para entrada de luz e ar. O salão possui três mesas de tamanhos diferentes, e suportes no camarote de popa guardam as pernas das mesas não utilizadas. O acabamento interior privilegia a durabilidade: as superfícies de elevada abrasão em redor das portas e do mobiliário são de madeira maciça, o soalho é um laminado de alta densidade com imitação de teca e azevinho, e as persianas das vigias recolhem-se atrás dos passa-mãos quando não estão em uso. A cablagem e a canalização correm através de condutas de fácil acesso.
A casa de banho tem uma sanita elétrica, água sob pressão quente e fria de série e um duche em compartimento separado — uma característica cuja linhagem remonta ao original Catalina 380, o primeiro barco de produção com menos de 40 pés a ter este equipamento. Em frente à casa de banho, a cozinha situa-se mesmo no fundo dos degraus e parece prática e acolhedora, com frigorífico de acesso superior e lateral, um lava-loiça duplo perto da linha de crujamento e um bom fluxo de trabalho.
Problemas Conhecidos
A única ressalva operacional do registo de teste é modesta: quando o barco foi acelerado para 2500 rpm e o testador se deslocou pelo interior, algum ruído do motor propagou-se pela cabine. (1)
Remodelações e Propriedade
A ergonomia de manutenção é um ponto forte. O motor diesel possui acesso por quatro lados, que o testador classificou como o ideal, e os condutos e placas de reforço laminadas tornam as futuras alterações de cablagem ou canalização muito menos destrutivas do que em barcos com passagens enterradas. O enrolador no mastro, visto no barco de teste, e a opção de retrátil na retranca mostram que o convés foi projetado para aceitar sistemas de rolos sem necessidade de trabalhos de remodelação.
O Veredicto
O Catalina 387 é um cruzeiro costeiro cuidadosamente detalhado que supera as expectativas para o seu comprimento em termos de habitabilidade no poço e na cabine. O equipamento de convés está disposto para manter a água onde deve estar, o interior é aberto e durável, e o comportamento a motor é genuinamente tolerante em espaços apertados. A única desvantagem apontada é a presença sonora do motor a rotações mais elevadas, e o comprador deve simplesmente ponderar isso face ao acesso fácil ao serviço técnico, que é uma grande vantagem.
Prós
- Poço excecionalmente grande com bancos compridos para cruzeiro social
- Equipamento de convés elevado e reforçado com contra-chapa para minimizar as vias de infiltração
- Interior aberto e durável com disposições flexíveis de mesas
- Duche em compartimento separado e cozinha bem posicionada
- Acesso ao motor por quatro lados e passagens de cablagens organizadas
- Manobra apertada e sem necessidade de manete a motor
Contras
- Ruído do motor perceptível através do interior a 2500 rpm










