Design e Construção
O casco do 107 é de fibra de vidro maciça, uma laminação que exige muito pouco ao proprietário durante uma época de navegação — o próprio material necessita apenas de uma manutenção mínima para se manter flutuante. Com 10,5 pés de boca e um deslocamento próximo das 10 700 libras, com 4 850 libras de lastro de chumbo, a sua relação lastro-deslocamento situa-se nos 45 por cento, um valor superior aos 76 por cento dos projetos comparáveis e que lhe confere uma capacidade muito elevada de resistir ao adorno. A relação comprimento-boca de 3,38 torna-o mais esguio do que 69 por cento dos barcos semelhantes, e Kjærulff parece ter escolhido uma forma de casco ligeiramente mais rápida com base nisso. A sua relação deslocamento-comprimento de 231 coloca-o entre os "regatistas moderados", com 66 por cento dos projetos concorrentes classificados como mais pesados. A superfície molhada da obra viva é de cerca de 344 pés quadrados. Na linha de água, o calado varia entre os 5,91 e os 6,21 pés, dependendo da carga, o que o limita a marinas maiores. (1)
Aparelho e Manobrabilidade
Um aparelho à testa do mastro mantém o plano vélico simples, e a sua principal virtude aqui é que uma área vélica dada pode ser portada mais baixa do que num aparelho fracionado, reduzindo o momento de adorno para a mesma área de pano. A quilha de aleta proporciona uma manobrabilidade esplêndida em águas apertadas, embora perca alguma estabilidade direcional face a um barco com quilha mais longa. O seu coeficiente de capotagem de 1,83 qualificá-lo-ia, apenas por essa fórmula, para regatas oceânicas, e a velocidade de casco teórica é de 7,1 nós. O coeficiente de conforto de 24,2 a 26,5 significa que é mais confortável do que metade dos projetos semelhantes. O tamanho das escotas é generoso: as escotas da buja e da genoa têm cerca de 35 pés com 14 mm de diâmetro, a escota da grande tem cerca de 88 pés e as escotas do spinnaker têm cerca de 77 pés, todas de 14 mm. (1)
Acomodações e Capacidades
A água doce é transportada em 100 litros — 26 galões americanos ou 21 galões imperiais — um fornecimento modesto que se adequa ao seu tamanho, mas que exige uma rota de cruzeiro disciplinada. A taxa de imersão de cerca de 1.007 libras por polegada (179 kg por cm) significa que um inventário de cruzeiro carregado afeta visivelmente a proa e a popa; cada cem libras de carga baixam o barco um décimo de polegada, um valor útil ao equilibrar o veleiro para a travessia.
Problemas Conhecidos
A única limitação documentada é o seu calado. Com cerca de 1,80 a 1,90 metros carregada, só consegue entrar em marinas principais e fica excluída de ancoradouros pouco profundos e portos menores. (1)
Refits e Propriedade
Ter um 107 significa viver com um casco de fibra de vidro de baixa manutenção e um aparelho cujas dimensões das escotas são conhecidas ao pé e ao milímetro, simplificando a substituição. O calado mais profundo e o deslocamento moderado de regata recompensam um proprietário que valoriza uma navegação rápida e rígida em vez de explorar zonas pouco profundas.
O Veredicto
O Bianca 107 é um veleiro de cruzeiro de alta performance dos meados dos anos oitenta com proporções bem pensadas: esguio, bem lastrado e rápido para o seu comprimento, com um aparelho à testa do mastro tolerante e um casco que exige muito pouco ao proprietário. É ideal para velejadores que navegam entre marinas consolidadas e que gostam de um barco que se mantém firme sob vela.
Prós
- A relação lastro-deslocamento de 45 % oferece uma resistência muito elevada ao adorno
- Casco mais esguio (L/B 3,38) do que 69 % dos concorrentes, escolhido pela velocidade
- O casco de fibra de vidro requer apenas a manutenção sazonal mínima
- A quilha de aleta proporciona uma manobrabilidade esplêndida
Contras
- O calado de 5,91–6,21 pés limita-a às principais marinas
- A capacidade de água doce de 100 litros é modesta para cruzeiros prolongados








