Design e Construção
A Garcia constrói o Passoa apenas em liga de alumínio 5086 H3 de qualidade marítima, com uma laminação robusta que tem 10 mm de espessura na parte inferior e diminui à medida que sobe para a âncora do casco. A construção do estaleiro francês é integral no sentido mais pleno: os depósitos de combustível e de água, incluindo as suas grelhas, são integrados nas sentinas e formam uma série de compartimentos de colisão, enquanto 11 000 libras de chumbo formam o lastro fixo, revestido a fibra de vidro e selado dentro de tanques de sentina com uma camada isolante de alcatrão escolhida pela segurança galvânica em detrimento do chumbo. Os cadenotes não são acessórios adicionais aparafusados, mas são reforçados por baixo por vigas em I curvas que se estendem pela secção central do casco, sendo suficientemente fortes para levantar o barco. Na maioria dos exemplares, um arco de popa integral em alumínio maciço situa-se a popa do poço, e alguns possuem um arco de proa mais pequeno que serve de base natural para uma capota de proteção e um carro da escota da grande. (1)
Quilha, Bolina e Navegabilidade
Ao contrário dos veleiros americanos com quilha com bolina, o Passoa utiliza bolinas integrais que descem diretamente das sentinas, combinadas com um leme de pala muito raso e uma bolina de sabre retrátil à popa, entre o leme e a hélice, para ajudar na estabilidade direcional. Com as bolinas subidas, o calado é de apenas 3 pés e 5 polegadas, tornando-o um verdadeiro casco para navegar em águas pouco profundas e encalhar na praia, que se mantém direito quando encalhado e pode ser empurrado até à margem. O lastro interno e a forma larga do casco suportam um comportamento de auto-endireitamento e um ângulo teórico de estabilidade zero próximo dos 110 graus; com a bolina subida, desliza sobre as vagas que fariam encalhar um barco de quilha fixa. Vários Passoas realizaram circum-navegações e cruzaram latitudes elevadas sem registos de problemas significativos de capotagem. (1)
Aparelho e Desempenho
O aparelho de cúter padrão assenta num mastro de convés relativamente curto, com pouco menos de 60 pés a partir da linha de água, carregando 797 pés quadrados de vela e proporcionando uma relação área vélica-deslocamento adequada para cruzeiros com carga. A linha de água de 38 pés e o deslocamento leve de 26.200 libras (32.000 sob carga) conferem uma velocidade de casco de cerca de 8 nós. O calado reduzido com a bolina recolhida e o plano de lastro auto-endireitável permitem-lhe alternar entre passeios costeiros e navegação oceânica sem comprometer a estrutura central do barco.
Acomodações
A disposição padrão coloca dois camarotes pequenos a popa, um grande camarote do armador a proa da cozinha e do salão, e uma grande cabine de proa à frente de uma antepara de colisão estanque. A cozinha e o salão situam-se dentro da curta casaria elevada, sendo esta a única área com pé-direito total superior a seis pés nos barcos observados. Esta disposição troca o volume de pé-direito total por uma casaria baixa e marinheira — uma escolha consciente para cruzeiro e não um defeito.
O Veredicto
O Passoa 46/7 é um veleiro de alumínio para viagens cuidadosamente projetado, cujos detalhes de construção — depósitos integrados, cadenotes apoiados na sentina, lastro de ferro revestido a fibra de vidro — respondem às exigências de um cruzeiro sério. Não é um barco de conforto de produção em massa, mas sim um veleiro de passagem determinado, que se pode encalhar na praia e que se auto-endireita, com um historial comprovado no alto-mar.
Prós
- Depósitos de alumínio integrados e sentinas com compartimentos de colisão
- Pode encalhar na praia com as bolinas recolhidas; mantém-se direito quando encalhado
- Auto-endireitável com historial documentado de circum-navegação
- Cadenotes apoiados por vigas em I que atravessam o casco
Contras
- O ângulo de vento teórico máximo (AVS) em torno dos 110 graus é modesto em comparação com muitos barcos oceânicos
- O pé-direito total limitado ao salão da cabine com casaria elevada





