Design e Construção
As secções do casco do 396 DI são basicamente planas da roda de proa à popa para minimizar o calado da quilha, e o fundo possui uma espessura total de 2,5 cm (uma polegada) de fibra de vidro maciça para suportar o peso quando encalhado em seco. O casco em si é fabricado em fibra de vidro maciça com manta de fibra cortada e roving tecido numa matriz de resina de poliéster, enquanto o convés tem um núcleo de balsa de grão de ponta e longarinas longitudinais, com cavernas transversais laminadas em fibra de vidro para maior rigidez. Na versão de quilha retrátil, uma chapa de lastro em ferro fundido é fixada externamente num rebaço sob a água, alinhada com o fundo, fornecendo 3110 kg (6860 libras) de lastro; a pala da quilha retrátil em si é de fibra de vidro, pesa menos de 135 kg (300 libras) e pivota em torno de um perno de aço inoxidável reforçado através de casquilhos. Skegs estruturais flanqueiam o caixão da bolina e a hélice para proteger essas zonas. Em vez de um único leme de pala profundo de elevado aspeto, o barco possui duas palas elípticas mais rasas inclinadas a bombordo e a estibordo, cada uma projetada para suportar o peso de todo o barco quando encalhado em seco. Foi também oferecida como alternativa uma quilha de aleta fixa com lastro de 1,80 metros (5 pés e 11 polegadas), com uma pala de ferro fundido de 2450 kg (5400 libras) aparafusada de forma convencional, resultando num deslocamento mais leve de 6995 kg (15470 libras). (1)
Aparelho e Manobra
O mastro é assente no convés, com adriças e controlos conduzidos para a ré através de organizadores e mordedores até a carros auto-virantes montados na cabine, permitindo uma operação com tripulação reduzida a partir do poço. Conectados à roda de leme por um sistema de pinhão e cremalheira Whitlock, os dois lemes inclinados proporcionam uma excelente resposta ao toque da cana. Com vento fraco em águas calmas, o barco movia-se sem esforço, mantinha bem o rumo e bolinava muito bem com a bolina descida. A área vélica total é de 654 pés quadrados num mastro de 54 pés acima da linha de água, e a relação área vélica-deslocamento da versão de quilha retrátil de 15,4 (16,9 para a versão de quilha fixa) reflete um cruzeiro moderadamente potente e não um velejador de regata. (1)
Acomodações
Os compradores podiam escolher uma disposição de dois camarotes com um duplo à proa e outro a toda a largura a popa, ou uma versão de três camarotes que dividia a popa em camarotes a bombordo e a estibordo. Ambas as disposições possuem duas casas de banho com duche, uma a proa e outra a popa, cada uma com o seu próprio depósito de águas negras dedicado em aço inoxidável. O salão tem sofás em L em ambos os lados e uma mesa de refeições central que se desdobra para os unir, sendo que a carpintaria é em freixo para um visual leve e arejado. A cozinha situa-se a bombordo, a ré do tambucho, com bancadas duplas em aço inoxidável e um micro-ondas, enquanto a estibordo ficam a casa de banho de popa, uma mesa de cartas virada para a proa e o quadro elétrico central. Existem três armários suspensos distribuídos pelo barco, e o pé-direito no camarote é de 7 pés.
Equipamento e Sistemas
O motor interior a diesel Yanmar de 40 cavalos é acessível através de escotilhas de inspeção dianteiras e laterais convertíveis, localizadas abaixo do tambucho. O banco de baterias situa-se sob o soalho da cabine num caixão de fibra de vidro personalizado, contendo uma bateria de arranque e duas unidades de serviço de ciclo profundo, e o painel da mesa de cartas organiza 16 disjuntores de 12 volts e seis de 220 volts. A água quente e fria sob pressão serve a cozinha e as casas de banho, com um duche de convés no poço. À proa, encontram-se rolos de âncora duplos e um generoso poço de amarra com um molinete mecânico, e o assento amovível do timoneiro no poço abre para uma plataforma de banho.
Problemas Conhecidos
Os críticos da época levantaram uma preocupação sobre a adequação do ferro fundido como lastro de bolina na versão com calado reduzível, dada a sua vulnerabilidade à ferrugem e corrosão no ambiente marinho em que a âncora está instalada; a Kirie resolveu este problema mantendo o metal externo e reforçando a laminação do casco onde se fixa. O poço é bastante pequeno e comprometido por uma ampla plataforma de ligação destinada ao lazer com bom tempo, e descer para o interior exige uma manobra de sair do poço que deixa um tripulante exposto em condições duras de alto-mar. (1)
O Veredicto
O Feeling 396 DI é um cruzeiro genuinamente invulgar: um veleiro de 38 pés projetado desde o casco para encalhar na praia como um catamarã, com uma obra viva plana em fibra de vidro maciça, lastro externo em ferro fundido e dois lemes inclinados que funcionam também como apoios de encalhe. A bolina retrátil transforma o barco de um veleiro de quilha de 2,24 metros num barco de pouco calado de 0,89 metros que pode encalhar na praia, sem sacrificar a capacidade de navegar com ventos fracos. Os compromissos são reais — um poço menos generoso e uma chapa do fundo propensa à corrosão — mas a construção responde aos riscos óbvios, e o interior é uma plataforma de cruzeiro pensada e espaçosa.
Prós
- Concebido especificamente para encalhar com uma gama de calado entre 2,24 m e 0,90 m através da bolina retrátil
- Fundo plano de fibra de vidro maciça de uma polegada e dois lemes inclinados que suportam o peso do barco em seco
- Excelente resposta ao leme dos dois lemes no sistema Whitlock de pinhão e cremalheira
- Disposições flexíveis de dois ou três camarotes com duas casas de banho e boa arrumação
Contras
- Lastro de bolina em ferro fundido vulnerável à corrosão; necessita de inspeção externa
- Poço pequeno com plataforma elevada; o interior torna-se uma subida vulnerável com mar agitado
- A alternativa de quilha fixa perde a capacidade característica de encalhar na praia






