Ericson 35-2 — análise, ficha técnica e anúncios

Bruce King·1969 – 1981·~500 hulls·Ericson Yachts
Ericson 35-2 drawingDesenho do estaleiro
Tipo de casco
Monocasco · aleta
Aparelho
Sloop à testa do mastro
LOA
34.67' · 10.57 m
Desloc.
11.600 lbs · 5.262 kg
Primeiro ano
1969

O Ericson 352, frequentemente designado como Ericson 35 Mark II, representa um dos projetos de maior sucesso comercial e longevidade da era de transição dos veleiros racercruiser. Produzido pela Ericson Yachts, sediada no sul da Califórnia, entre 1969 e 1981, este modelo foi desenhado pelo prestigiado arquiteto naval Bruce King. Ao longo dos seus treze anos de produção, foram concluídos aproximadamente 600 cascos, consolidando o estatuto deste modelo como um clássico de fibra de vidro quintessencial dos anos 70. O objetivo de King era criar um veleiro de regata competitivo para sistemas de compensação de tempos que estivesse atualizado, mas que não comprometesse o conforto a bordo necessário para o cruzeiro familiar. Numa altura em que o design de veleiros se afastava rapidamente dos parâmetros pesados e de quilha corrida do Cruising Club of America (CCA) em direção a obras vivas mais hidrodinâmicas, o Ericson 352 encontrou um equilíbrio único. Oferecia um desempenho enérgico nos campos de regata, mantendo ao mesmo tempo uma disposição de cabine segura e acolhedora, o que o tornou um favorito entre os velejadores de cruzeiro costeiro e navegadores de pequenas grandes viagens.

Medidas

Dimensões 01

Comprimento total (LOA)
34,67 ft
Comprimento no convés
Comprimento na linha de água (LWL)
25,83 ft
Boca
10 ft
Calado
4,92 ft
Pé-direito máximo
6,17 ft
Calado aéreo

Construção e casco 02

Construção
Fibra de vidro
Tipo de casco
Monocasco
Tipo de quilha
Aleta
Leme
1× De pala
Lastro
5.000 lbs
Deslocamento
11.600 lbs
Capacidade de água
25 gal
Capacidade de combustível
23 gal

Aparelho e velas 03

Tipo de aparelho
Sloop à testa do mastro
Gratil da vela grande
35,67 ft
Pujame da vela grande
13 ft
Altura do triângulo de proa
43 ft
Base do triângulo de proa
14 ft
Comprimento do estai (estimado)
45,22 ft
Área vélica
533 sqft

Cálculos 04

Relação área vélica-deslocamento
16,64
Relação lastro-deslocamento
43,1
Relação deslocamento-comprimento
300,49
Coeficiente de conforto
29,31
Coeficiente de capotagem
1,77
Velocidade de casco
6,81 kn

Design & Conceito

O Ericson 35-2 foi concebido durante um período dinâmico na arquitetura naval, em que os estaleiros procuravam desesperadamente maximizar a velocidade sem sacrificar o volume interior. Bruce King conseguiu-o combinando uma quilha de aleta moderada e um leme de pala semibalanceado com uma casaria de perfil relativamente baixo e um espelho de popa invertido muito elegante. Comparado com outros veleiros populares de 35 pés da sua geração — como o estreito Alberg 35 de quilha corrida ou o mais pesado Nicholson 35 com leme sobre skeg —, o Ericson 35-2 era marcadamente mais ágil e tinha um desempenho muito superior com ventos fracos a moderados. Igualava a velocidade de contemporâneos como o Ranger 33, oferecendo ao mesmo tempo um interior substancialmente mais largo e habitável.

O design interior reflete as prioridades do cruzeiro dos anos 70, assentando fortemente em acabamentos de teca estruturais e acolhedores, tetos moldados em fibra de vidro e uma disposição altamente funcional. Ao contrário dos modernos veleiros de cruzeiro de popa larga desenhados para a vida na marina, o 35-2 apresenta uma boca mais estreita de 9,67 pés, o que naturalmente restringe a largura da cabine, mas proporciona uma excelente segurança e pontos de apoio para as mãos ao movimentar-se sob o convés com mar formado. O salão é definido por uma dinete em U que se pode converter num beliche duplo, equilibrada por um sofá-beliche longitudinal no bordo oposto. Embora o barco careça dos cavernosos camarotes de popa e das casas de banho privativas dos veleiros de 35 pés mais recentes, a sua qualidade de construção é robusta, utilizando um casco de fibra de vidro maciça com um convés em sanduíche de balsa. O acabamento geral foi projetado para uma utilização a longo prazo, apresentando arrumação abundante, armários bem ventilados e uma cozinha funcional e segura junto ao tambucho.

Variações & Configurações

Ao longo do seu longo período de produção, o Ericson 35-2 manteve a sua forma de casco caraterística e o seu aparelho sloop à testa do mastro de elevado alongamento. No entanto, o modelo passou por evoluções significativas ao nível da engenharia e da disposição interior, mais notavelmente no que diz respeito ao posicionamento do motor e à motorização auxiliar.

Nos cascos fabricados entre 1969 e aproximadamente 1973, o motor auxiliar padrão era o omnipresente Universal Atomic 4 a gasolina de 30 cavalos. Nestes modelos iniciais, o motor era montado a meia-nau, posicionado diretamente sob a secção de ré da mesa da dinete, no centro da cabine. Embora esta colocação concentrasse o peso do motor perto do centro de flutuação do barco para minimizar o adornamento longitudinal (arfagem), complicava a manutenção e introduzia calor e ruído no salão.

A partir de 1974, a Ericson redesenhou a disposição, movendo o compartimento do motor para a ré dos degraus do tambucho. Esta alteração coincidiu com a introdução de opções de motorização a diesel, incluindo o pesado Westerbeke 4-91, bem como várias configurações de motores diesel Volvo Penta e Yanmar. A disposição com motor à popa libertou um espaço substancial sob a dinete para depósitos de água doce adicionais ou arrumação seca, e melhorou significativamente o acesso ao motor para a manutenção de rotina através dos degraus amovíveis do tambucho.

Desempenho à Vela & Manobrabilidade

As características de navegação do Ericson 35-2 são definidas pelo seu deslocamento moderado e plano de voaria equilibrado. Com um deslocamento de 11 600 libras, um comprimento na linha de água de 24,08 pés e uma elevada relação lastro-deslocamento de 43,1 %, o veleiro é fundamentalmente rígido e capaz de aguentar bem o pano com vento forte. No entanto, na prática, o barco comporta-se inicialmente de forma ligeiramente mole. Bruce King desenhou o casco para adornar facilmente até cerca de 15 graus, ponto em que assenta na sua bochecha do casco mais forte — entrando no seu "carril" — e exibe uma excelente estabilidade direcional.

Uma relação deslocamento-comprimento de 300,49 confirma a sua herança como uma embarcação de deslocamento moderado a pesado para os padrões modernos, traduzindo-se num movimento confortável e previsível com mar formado (comprovado por um coeficiente de conforto de 29,31). Não sofre do movimento seco e brusco dos modernos veleiros ligeiros de fundo plano. Sob vela, o aparelho de elevado alongamento, caraterizado por uma relação área vélica-deslocamento de 16,64, fornece potência suficiente para mover o casco através da vaga, particularmente quando navega com uma genoa sobreposta grande.

No posto de governo, o leme de pala semibalanceado proporciona uma resposta imediata e precisa. O coeficiente de capotagem de 1,77 está bem abaixo do limite conservador de 2,0 para navegação de alto mar, validando a estabilidade inerente do casco e tornando-o um candidato viável para travessias oceânicas. Em rumos portantes, o casco mantém bem o rumo com uma tendência mínima para guinar, embora o excesso de pano na vela grande possa gerar uma ardência notória, sugerindo que o primeiro rizo deve ser tomado cedo, quando a velocidade do vento ultrapassa os 15 a 18 nós.

Problemas Conhecidos & Diagnóstico

Décadas de serviço evidenciaram várias fragilidades estruturais e mecânicas recorrentes e específicas deste modelo, que os potenciais compradores e atuais proprietários devem analisar:

  • Compressão da Base do Mastro: O mastro apoiado no convés conta com um pontal de compressão interno que transfere a carga do aparelho para a estrutura da quilha. Com o tempo, as infiltrações de água através das saídas de cabos na gola do mastro podem apodrecer os blocos de apoio de madeira subjacentes no porão ou esmagar o laminado da casaria, levando a uma deformação estrutural e à perda de tensão no aparelho fixo. O diagnóstico exige retirar o mastro, cortar a fibra de vidro danificada na casaria, substituir os blocos de apoio podres por placas de epóxi G10 e reforçar a ligação do pontal de compressão.
  • O Cadenote Oculto de Estibordo: Enquanto os cadenotes de bombordo são fáceis de inspecionar, o cadenote principal de estibordo está historicamente oculto atrás dos armários na casa de banho ou no salão. Infiltrações não detetadas no convés em redor deste cadenote costumam apodrecer a antepara principal de contraplacado marítimo à qual está aparafusado. Os proprietários devem inspecionar periodicamente esta área com um endoscópio ou remover os armários para verificar se a água não delaminou a antepara estrutural. A reparação de uma antepara podre envolve cortar a secção danificada e laminar novo contraplacado marítimo no local.
  • Vazios na Quilha Encapsulada: O 35-2 apresenta uma quilha de chumbo encapsulada, o que significa que o lastro é colocado dentro do molde de fibra de vidro do casco, em vez de ser aparafusado exteriormente. Durante o fabrico, alguns cascos saíram da fábrica com vazios de ar entre a peça de chumbo e a pele exterior de fibra de vidro. Os encalhes podem romper a fibra de vidro exterior, permitindo a entrada de água nestes vazios, que pode congelar ou causar osmose. As reparações de encalhes devem incluir a verificação da quilha para detetar retenção de água, a abertura de orifícios de drenagem, a secagem do núcleo e a injeção de resina epóxi ou poliéster em quaisquer cavidades ocas.
  • Fadiga do Pé de Galinha do Veio de Hélice: O pé de galinha de bronze que suporta o veio da hélice pode sofrer de corrosão galvânica ou fissuras por fadiga. Como a base de fixação deste suporte está enterrada sob o depósito de combustível na popa, inspecionar ou substituir um suporte solto ou partido é um trabalho muito moroso que frequentemente exige a remoção total do depósito de combustível.

Modernização & Upgrades

A longevidade do Ericson 35-2 tornou-o um candidato popular para remodelações profundas e modernas, destinadas a melhorar a autossuficiência e a fiabilidade mecânica:

  • Remotorização a Diesel: A conversão dos modelos mais antigos equipados com o motor Atomic 4 a gasolina para motores diesel modernos é a melhoria importante mais comum. As escolhas modernas mais populares incluem o Beta 20 ou Beta 25, que utilizam um bloco Kubota e oferecem dimensões compactas que se ajustam aos espaços apertados dos compartimentos do motor (tanto na versão inicial a meia-nau como na versão posterior a popa). Estas conversões exigem a modificação da bancada do motor, a substituição dos depósitos de combustível de aço macio por depósitos de alumínio ou polietileno compatíveis com diesel, e a instalação de uma linha de retorno de combustível dedicada.
  • Conversões Elétricas para Lítio (LiFePO4): Para suportar a eletrónica de navegação moderna, o frigorífico e outros equipamentos, os proprietários substituem frequentemente os bancos de baterias de chumbo-ácido desatualizados por baterias de fosfato de ferro-lítio de alta densidade. O espaço libertado ao abdicar das baterias originais e volumosas permite instalações limpas sob os beliches do salão, frequentemente combinadas com alternadores de alto rendimento e reguladores externos inteligentes.
  • Substituição de Canalizações & Depósitos: Os depósitos de água originais em fibra de vidro — muitas vezes moldados diretamente no soalho da cabine ou sob o camarote de proa — são propensos a microfissuras e à degradação do epóxi. A modernização padrão envolve contornar estes depósitos integrados e instalar depósitos de polietileno feitos à medida ou depósitos flexíveis de alta resistência nas mesmas cavidades para preservar a qualidade da água doce.

Mercado & Economia

No mercado de usados, o Ericson 35-2 continua a ser uma porta de entrada muito acessível para os velejadores que procuram um verdadeiro cruzeiro de bolso com excelente pedigree de navegação. Devido ao elevado número de unidades construídas, são geralmente abundantes tanto na costa leste como na costa oeste da América do Norte. Mantêm uma ligeira valorização em comparação com veleiros de cruzeiro costeiro de construção mais leve e de produção em massa da mesma época, graças à sua construção robusta e à comunidade ativa e solidária que se encontra em portais de proprietários como o EricsonYachts.org.

No entanto, dado que muitos cascos ainda mantêm os seus motores a gasolina Atomic 4 originais ou motores diesel antigos arrefecidos a água direta, os compradores devem calcular cuidadosamente o custo de uma remotorização no seu orçamento de compra. Uma remotorização profissional a diesel pode facilmente igualar ou superar o preço de compra inicial do veleiro. Por esta razão, os cascos bem mantidos e já remotorizados têm uma valorização clara, enquanto os barcos a precisar de obras são frequentemente negociados a preços muito baixos.

O Veredicto

O Ericson 35-2 é um veleiro de cruzeiro/regata classicamente elegante e belissimamente equilibrado que envelheceu incrivelmente bem. Embora careça do volume interior e dos confortos padrão dos projetos de cruzeiro modernos de borda livre alta, recompensa o seu timoneiro com uma resposta de leme muito precisa, excelente estabilidade com mau tempo e uma construção robusta capaz de enfrentar navegação de alto mar quando devidamente mantido. Para velejadores com orçamento limitado que privilegiam o desempenho à vela e as linhas intemporais em detrimento do espaço habitável na marina, este clássico de Bruce King continua a ser uma opção incrivelmente atraente.

Prós

  • Excelente desempenho e características de navegação, especialmente com ventos fracos a moderados, com um leme muito responsivo.
  • Construção robusta em fibra de vidro reforçada com uma elevada relação lastro-deslocamento (43,1 %) que proporciona uma excelente estabilidade.
  • Associação de proprietários ativa, dedicada e conhecedora, o que simplifica a resolução de problemas, a obtenção de peças e as remodelações em regime de bricolage.
  • Estética clássica e elegante, com uma casaria de baixo perfil e linhas de casco limpas.

Contras

  • Muitos modelos mais antigos ainda apresentam motores a gasolina Atomic 4, que exigem uma manutenção meticulosa e acarretam riscos inerentes de segurança de combustível.
  • Propenso a danos estruturais causados por infiltrações de água da chuva, particularmente em redor da base do mastro apoiado no convés e nos cadenotes ocultos de estibordo.
  • A boca mais estreita e a disposição interior tradicional oferecem significativamente menos espaço habitável e de arrumação do que os modernos veleiros de 35 pés.

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