Design e Construção
A forma do casco do E4 é inegavelmente contemporânea. As extremidades verticais maximizam o comprimento na linha de água em prol da velocidade de navegação, enquanto as quinas vivas e secções de popa amplamente potentes permitem que o barco se mantenha firme com vento portante forte. A própria forma do casco foi inspirada na última geração de barcos da Volvo Ocean Race, o que indica claramente para onde Humphreys olhava ao traçar as suas linhas. Uma quilha em T profunda baixa o centro de gravidade e permite uma maior capacidade de sustentar pano, aumentando a velocidade e a estabilidade. O designer Rob Humphreys equipou o E4 com essa quilha em T profunda especificamente para maximizar o momento de endireitamento. (1)
Estruturalmente, a Elan constrói o E4 utilizando o seu método VAIL (Vacuum-Assisted Infusion Lamination), que o estaleiro descreve como a única forma segura de prevenir a osmose e garantir rigidez uniforme, leveza e segurança. O laminado do casco combina resinas de poliéster e vinilester com um núcleo de espuma de célula fechada, resultando num casco forte e leve com uma relação resina-têxtil otimizada. O processo 3D VAIL integra a estrutura interior do veleiro, as longarinas e os apoios das longarinas no próprio casco através de infusão assistida a vácuo, enquanto as anteparas compostas utilizam tecido biaxial impregnado com resina curada a vácuo para uma estrutura compacta e rígida. Tanto o casco como o convés têm núcleo de espuma e são infundidos com resina. A variante S4 de maior desempenho vai ainda mais longe, empregando apenas resina de vinilester e uma construção mais leve para retirar mais de 1.000 lb do corpo da canoa. (2)
Aparelho e Manobrabilidade
O E4 vem equipado de série com um aparelho fracionado de duas cruzetas num mastro e retranca de alumínio Seldén, estando os mastros e retrancas de carbono disponíveis como opção e de série no S4. Um mastro implantado na quilha, um estai de popa divisível ajustável e uma configuração revista da escota da grande fazem parte do pacote padrão, e um gurupés retrátil em fibra de carbono amplia o leque de possibilidades com ventos portantes. A buja ligeiramente sobreposta com 108 % de área vélica é armada numa enroladora Harken sob o convés, com calhas para genoa interior e cabos ajustáveis que podem ser caçados a partir do poço, além de sistemas de recolha rápida (in-haulers) para ângulos de virada por avante mais apertados. Uma escota da grande de estilo alemão corre até uma calha embutida no soalho do poço, bem posicionada para o ajuste de regata. (1)
Na água, a configuração cumpre o que promete. Ao bolinar com ventos de 6 a 8 nós, os velejadores de teste mantiveram facilmente mais de 5 nós com um ângulo real do vento de 45 graus, e o governo de duas rodas da Jefa revelou-se leve e reativo em viradas por avante curtas. Os dois lemes garantem um governo firme mesmo quando o barco está adornado, e o E4 navegou à popa em ângulo apenas abaixo da velocidade do vento com um gennaker no pau de espingarda. Com ventos mais fracos de 5 a 7 nós, o barco de teste ainda conseguia avançar a cerca de 4 nós à bolina, e a quina tornava impossível perder o pano, apesar dos melhores esforços. (1)
Acomodações
O E4 é disponibilizado em versões de dois camarotes e três camarotes, cada uma com uma única casa de banho com duche. A disposição de dois camarotes coloca uma mesa de cartas virada para a proa a estibordo do tambucho, em frente a uma cozinha em L, com uma grande área de arrumação a popa onde a versão de três camarotes coloca um beliche de popa a estibordo. À proa destas zonas, as duas disposições são idênticas: um sofá em U a bombordo e um sofá reto a estibordo ladeiam uma mesa de jantar central dobrável, e ambos os sofás são suficientemente compridos para servirem como excelentes beliches de mar. A mesa de jantar pode ser rebatida para formar um beliche duplo a bombordo. (1)
Um camarote de proa em V funciona, mas é um pouco apertado, enquanto o salão beneficia de muitos e bons passa-mãos e de uma boa quantidade de espaço de arrumação para um barco deste tamanho. Os acabamentos em folheado de carvalho claro mantêm o visual limpo e moderno sem serem estéreis. No poço, recortes nos bancos servem como apoios para os pés e um banco de popa amovível funciona também como uma escada de acesso ao Med-mooring. Os pedestais da roda de leme alojam pods rotativos de plotter cartográfico para eletrónica B&G ou Raymarine, com plataformas articuladas que dão ao timoneiro melhor apoio. (1)
Convés e Equipamento
O convés do E4 foi construído para uma circulação segura: os conveses laterais possuem excelente antiderrapante moldado e duas guarda-mancebos posicionadas muito mais altas do que as habitualmente encontradas em barcos de produção em série, com uma enorme regala moldada para segurança que ainda assim é suficientemente baixa e larga para não incomodar as pernas da tripulação. Um grande poço de amarração contém um molinete Quick e o rolo de âncora situa-se deslocado para estibordo, em frente ao gurupés telescópico. Os cunhos de amarração retráteis são um toque elegante, e o painel de controlo vencedor do prémio DAME simplifica a gestão dos sistemas. As caixas do poço adicionam arrumação e assentos, sendo atualizáveis para alojar um grelhador e um frigorífico, e uma mesa de poço dobrável ocupa-se totalmente no soalho. (1)
O Veredicto
O Elan E4 é um veleiro de cruzeiro de alta performance cuidadosamente executado que traduz o design de casco de regata oceânica num conjunto de 35 pés útil tanto para regatas de clube como para navegação costeira em família. A sua construção infundida, o controlo de duplo leme e o poço bem organizado fazem dele um verdadeiro barco de marinheiros, enquanto as duas disposições interiores o mantêm prático. A capacidade limitada de combustível e o beliche de proa apertado são os compromissos por trás desse foco.
Prós
- Forma do casco desenhada a partir da genética da Volvo Ocean Race, com quinas vivas que resistem ao enterro das regalas
- Construção infundida VAIL/3D VAIL com estrutura integrada e anteparas compostas
- Os dois lemes e o governo de dupla roda Jefa proporcionam um toque de cana firme e leve quando o barco adorna
- Poço bem organizado com passagens para a genoa interior, escota da grande alemã e apoios para os pés
- Disposições de duas ou três camarotes com sofás-beliche de beliche marítimo e boa arrumação
Contras
- Capacidade de combustível limitada a 20 galões, exigindo um planeamento cuidadoso das passagens
- O camarote de proa em V é apertado para um barco deste comprimento
- O motor Yanmar padrão de 29 cv é modesto; propulsão registada com uma coluna do saildrive Volvo nos testes







