Design e Construção
O casco é construído em manta e fibra de vidro manualmente aplicados sobre uma estrutura interna de fibra de vidro maciça, com um laminado relativamente espesso que excedia os padrões de construção quando foi introduzido. Um núcleo de balsa situa-se no interior do casco acima da linha de água e dentro do convés, adicionado para isolamento térmico e acústico e não para resistência estrutural, enquanto o próprio casco é reforçado por vigas de fibra de vidro em U, varengas e longarinas. O convés e o casco encontram-se num agrupamento de proa elevado, selado com 3M 5200 e aparafusado à tara a cada seis polegadas, terminando com uma regala de teca. Ambas as peles têm núcleo de balsa de veio, e nas zonas de ferragens o núcleo do convés é removido para que placas de aço inoxidável fixadas no laminado permitam a uma única pessoa aparafusar os acessórios na superfície. (1)
Os primeiros barcos transportavam lastro de ferro na cavidade da quilha, tendo mais tarde passado para o chumbo nos cerca de 60 cascos finais, com sete peças fundidas separadas laminadas no interior da quilha moldada. O convés e grande parte da madeira interior são de teca maciça de plantação das terras altas da Costa Rica, sem utilização de folheados no interior. A ligação casco-convés, as válvulas de fundo em bronze em cada passagem de casco e uma bancada do motor em fibra de vidro que resiste à deterioração demonstram uma construção feita para a distância e não para o salão de exposições.
Aparelho e Manobrabilidade
O aparelho cúter ostenta um mastro de 50 pés assente na quilha e uma vela de estai auto-virante, com molinetes de genoa sobredimensionados e alguns modelos equipados com retrancas da buja auto-virantes. Um pé de roda recortado reduz a superfície molhada e melhora o manuseamento sem abdicar da tradicional quilha corrida e do leme acoplado à quilha. Esta configuração de quilha corrida confere ao veleiro uma boa estabilidade direcional e ajuda a manter o rumo, embora limite a capacidade de bolinar em comparação com rivais de quilha de aleta. Escrevendo na Practical Sailor, os velejadores de teste consideraram que o barco era muito bem comportado e tinha poucos defeitos, e o deslocamento de 20 000 libras com 7800 libras de lastro mantém o casco direito em mares agitados e ventos fortes. Os proprietários relatam que o leme não perde eficácia em orçadas descontroladas e que o aparelho cúter facilita a redução de pano; a maioria concorda que é médio a lento com vento fraco, mas rápido assim que o vento aumenta. (2)
Acomodações
Foram disponibilizadas duas disposições de salão, o Plano A e o Plano B, com pequenas variantes no camarote de proa em V, e mais tarde surgiu o modelo Offshore, que eliminava o beliche de popa para dar lugar a uma enorme zona de arrumação sob o assento do poço a estibordo, onde os velejadores de cruzeiro podiam instalar dessalinizadores e geradores. O pé-direito é de pelo menos 1,89 m (seis pés e dois centímetros e meio) e os beliches têm, geralmente, 1,98 m (seis pés e seis polegadas). A cozinha em U é arejada e completa, equipada com fogão, forno, lava-loiça, frigorífico e geleira, enquanto armários de suspensão revestidos a cedro, uma mesa de cartas e um poço seco e acolhedor para quatro pessoas completam a imagem de uma vida a bordo. No final da produção, o interior era personalizável, com um plano tardio que prolongava o beliche duplo de popa atrás do tambucho assim que o motor era movido para a frente, sob a cozinha.
Problemas Conhecidos
Os conveses de teca são requintados mas podem apresentar infiltrações, e estas levam à delaminação do convés; os proprietários também relataram fugas em redor dos imbornais. Os barcos mais antigos têm uma camada de contraplacado no soalho do poço que apodrece se a água penetrar. Os cascos anteriores a 1990 usavam resina de poliéster e os proprietários desses modelos queixaram-se de bolhas no casco, enquanto os cascos mais recentes ganharam vinilester nos quatro primeiros laminados para evitar o osmose. A Cabo Rico também utilizou aço inoxidável de baixa qualidade no final dos anos 80 e início dos anos 90, enfraquecendo madres do leme, regalas de proa e cadenotes. O acesso inicial ao motor era difícil devido à ausência de painéis laterais, problema que foi melhorado nos modelos posteriores com a adição de um painel de acesso.
Remodelações e Propriedade
O motor Perkins 4:108 original foi mais tarde substituído em muitos barcos por um Yanmar ou outro diesel, e a disposição tardia do motor móvel facilitou a manutenção. O caráter semicustomizado significa que os interiores variam na espécie de madeira — teca, mogno, ácer, freixo, cerejeira — pelo que o comprador deve avaliar individualmente o estado da marcenaria. O interior monocasco de contraplacado laminado ao casco evita falhas relacionadas com a dilatação, mas significa que qualquer fixação de anteparas merece uma análise atenta, como observou um proprietário em 1980 sobre ligações pouco seguras.
O Veredicto
O Cabo Rico 38 é um belo veleiro de passagem, de construção robusta, com um caráter genuíno para ir a qualquer lado, excelente comportamento no mar e um interior de cruzeiro personalizável. Recompensa o proprietário que esteja disposto a antecipar-se às infiltrações no convés de teca e à corrosão do aço inoxidável da época.
Prós
- Cúter de quilha corrida com excelente estabilidade direcional e leme que resiste ao desgaste
- Casco e convés isolados com núcleo de balsa sobre uma estrutura sólida e espessa de fibra de vidro
- Interior semi-personalizado com arrumação prática para alto-mar e pé-direito habitável
Contras
- Convés de teca e imbornais propensos a infiltrações que podem descolar o convés
- Cascos anteriores a 1990 sujeitos a bolhas; alguma das chapas de aço inoxidável desta época é suspeita
- O acesso ao motor nas primeiras versões dificultado por painéis laterais fixos











