Design e Construção
O casco é construído em laminação manual em fibra de vidro maciça sem alma, utilizando predominantemente fibra de vidro mas reforçado com Kevlar em áreas críticas, especialmente abaixo da linha de água, e resina isotálica para uma maior resistência à infiltração de água. A rigidez provém de vaus longitudinais convencionais acima e abaixo da linha de água, com varengas estruturais bem posicionadas no fundo. O convés incorpora uma alma de balsa para rigidez, redução de peso e isolamento, mas onde ocorrem cargas estruturais, a balsa dá lugar a contraplacado marítimo, e todos os acessórios suportadores de carga são fixados através de placas de reforço de alumínio. A ligação casco-convés utiliza uma flange voltada para o interior na obra morta à qual o convés é colado. Com um deslocamento de 70 547 libras e 20 723 libras de chumbo numa quilha de aleta de corda curta e um bolbo de lastro aerodinâmico inclinado para a ré, a relação lastro-deslocamento de 29 % e o calado padrão de quase nove pés colocam a maior parte dessa massa numa posição baixa e central; um skeg sustenta o leme. O estaleiro afirmou ter experiência com compósitos de fibra de carbono e tecnologia a vácuo, mas que não usaria os clientes como cobaias na sua adoção. (2)
Aparelho e Manobrabilidade
O 62 ostenta um aparelho sloop à testa do mastro com 86 pés de altura, apresentando uma área vélica de 2067 pés quadrados medida na vela grande mais 100 % do triângulo de proa, com uma relação área vélica-deslocamento (SA/D) de 19,4 e uma relação deslocamento-comprimento (D/L) de 189, o que aponta para um excelente potencial de velocidade com ventos fracos a moderados. Um verdadeiro estai de proa intermediário está configurado para uma traquetinha ou vela de tempestade, e o robusto mastro de três cruzetas navega sem brandais volantes, mas com dois sistemas redundantes de baixar a antena (para a proa e para a ré). O objetivo de Humphreys, salientou o estaleiro, era um veleiro bem equilibrado, leve e reativo ao leme, mas com a estabilidade direcional de um trator. Na água, os velejadores de teste constataram que o barco conseguia bolinar contra uma vaga curta e forte a uns sólidos 7,5 a 8 nós e a cerca de 40 graus do vento aparente, com um sistema de governo hidráulico que transmitia muito feedback e tornava a condução divertida. O seu historial de regatas sublinha o projeto: vitórias fáceis em classe no ARC, honras nas etapas de cruzeiro como primeiro a terminar entre 178 veleiros em popa, e uma arrasadora vitória em todas as cinco regatas da Cruising Class 1 na Antigua Sailing Week.
Convés e Poço
Uma mudança definidora ocorreu no convés com a introdução de um poço dividido: a popa alberga a área de trabalho com duas rodas de leme, e a proa apresenta um dos poços mais seguros e familiares num veleiro deste tamanho. O plano do convés gira em torno da estrutura de cabine Deck Saloon de baixo perfil, posicionada à popa da base do mastro, abrindo para um grande poço central ladeado por aparelhos primários e secundários, com duas rodas de leme e consolas a bombordo e a estibordo. O convés de proa é quase plano, a proa está totalmente aberta e os conveses laterais são desimpedidos, enquanto atrás do nicho do leme corre uma plataforma de banho em degraus até à plataforma de banho recortada no espelho de popa. (1)
Acomodações
No interior, o design de casco de Rob Humphreys é materializado num conjunto de acomodações desenvolvido pelo designer de interiores Dick Young. A disposição padrão apresenta um salão elevado com toda a largura do convés, com um grande sofá oval e mesa de refeições a estibordo, além de assentos informais, o posto de navegação e o centro de comunicações a bombordo, acabados em carvalho branco americano e cerejeira, com teca tradicional como opção. Três camarotes duplos que partilham duas casas de banho situam-se a proa e num degrau mais baixo, enquanto uma cozinha passante que serve também de corredor a bombordo conduz ao camarote do armador a popa, equipado com uma zona de toucador/escritório, uma casa de banho e duche espaçosos, e uma saída privativa para a fantail. Um quinto camarote duplo com beliches superpostos situa-se a estibordo a popa da mesa de refeições; o 62 também vinha com uma alternativa de quatro camarotes, e Dick Young sugeriu reduzir o número de pessoas com dois camarotes duplos auxiliares. Foram oferecidas até três casas de banho/duche, e as acomodações comparam favoravelmente com muitos veleiros muito maiores.
Performance e Navegação
Para além das regatas, o 62 é um excelente navegador de circum-navegações, sendo possível realizar dias de 200 milhas em pleno regime de cruzeiro e apresentando um desempenho sob vela excelente. Gary Jobson, vencedor da America's Cup e da Fastnet, navegou num destes barcos até ao Ártico, alcançando os 80 graus de latitude norte, o que é uma prova do alcance oceânico do casco e da forma marinheira que lida com a carga e o tempo com compostura.
O Veredicto
O Oyster 62 é considerado uma evolução do plano de fundação da Oyster: um velejador de cruzeiro com salão elevado desenhado por Humphreys que não abdica de nenhum do volume e conforto da marca em troca do aparelho agressivo e do potencial de velocidade leve a moderada que os seus números prometem. Um casco de fibra de vidro sólida com reforços de Kevlar e uma estratégia disciplinada de sanduíche no convés apontam para uma construção robusta para o alto mar, enquanto o poço dividido e os resultados registados em regatas a caracterizam como um cruzeiro sério para um velejador experiente, e não apenas como um apartamento flutuante.
Prós
- Aparelho mais alto, maior linha de água e mais volume do que o Oyster 61, com dias comprovados de 200 milhas e vitórias na classe ARC
- Casco sólido em GRP sem sanduíche, com Kevlar abaixo da linha de água e resina isotálica para resistência à permeação
- Poço dividido com área segura para a família a proa e poço de trabalho com duas rodas de leme a popa
- Alojamento até cinco camarotes com uma suite do armador a popa e salão elevado a toda a largura que rivaliza com veleiros maiores
Contras
- Com 35 toneladas e 189 D/L, não é um velejador leve apesar do SA/D moderado
- O calado padrão de 8'6" limita as zonas de cruzeiro pouco profundas
- As disposições de cinco camarotes podem parecer apertadas em comparação com a alternativa de quatro camarotes








