Design e Construção
O que distingue a Classe Donella dos seus contemporâneos não é apenas o casco de madeira, mas o raciocínio por trás das suas linhas de água mais cheias e da borda livre ligeiramente mais alta do que o habitual. Essas proporções remontam ao primeiro proprietário do líder da classe, DONELLA, que queria mais beliches e a capacidade de passar sob o convés da proa à popa sem que um poço central interrompesse a habitabilidade. O resultado é um veleiro cujo volume interior parece maior do que o sugeriria a sua boca estreita de 10 pés e 9 polegadas, e cuja disposição com casaria aberta à popa mantém todo o comprimento do casco como espaço habitável útil. A construção é uma honesta tábuas corridas de teca sobre madeira dura, com um capô de teca em bruto, guia-cabos de bronze e uma escotilha do púlpito do pano de popa forrado a teca na linha de crujamento — detalhes que agradam ao olhar, mas exigem a disciplina de manutenção de qualquer casco de madeira moldado a frio ou forrado a tábuas. Uma restauração realizada entre 1994 e 1995 tratou da estrutura de forma minuciosa: o casco foi completamente calafetado novamente, aplicado epóxi e pintado, o convés foi calafetado novamente e selado com Sikaflex, e os parafusos da quilha de bronze com silicone foram removidos e inspecionados. (1)
Aparelho e Manobra
O Donella foi concebido com dois aparelhos diferentes — um ketch que se descreve melhor como um motor sailer e um cúter equipado com um grande motor auxiliar — e o exemplar sobrevivente é um cúter aparelhado com um mastro de quatro cruzetas e aparelho fixo em aço inoxidável renovado em 1996, altura em que os mastros de abeto também foram reconstruídos. Laurent Giles ajustou o equilíbrio do plano vélico com evidente cuidado, que considerava essencial para uma navegação séria, e o aparelho de trabalho reflete isso: uma buja enrolável Harken no estai de proa, uma traquetinha enrolável Furlex no estai de proa interior e uma vela grande com três pontos de rizar por amarra, operados por um molinete de rizes Lewmar na retranca. As adriças são manuseadas por quatro molinetes de cabo elétricos e manuais Lewmar montados no mastro, as cargas das escotas por dois molinetes Antal W 525 ST elétricos e manuais sobre pedestais, e a escota da grande por um molinete Lewmar 44 de três velocidades à proa a bombordo, com uma calha e moitões a popa. O governo é feito por uma roda de leme com transmissão por cardan Mathway Marine para o leme, estando também equipado com uma maçaneta de leme de emergência. (1)
Acomodações
A luz era a inovação divulgada do Donella. Grandes vigias e iluminadores preenchem o interior, uma ênfase bem coberta pela imprensa náutica da época como uma verdadeira nova direção no design de veleiros de recreio, e o efeito é reforçado por uma elegante marcenaria em teca envernizada sobre painéis brancos e um teto de convés branco. O barco oferece seis lugares para dormir em dois camarotes e no salão: um camarote de proa com beliches individuais em V e luzes de teto prismáticas, um camarote do armador à popa com um beliche individual de cada lado, além de uma sanita estilo Baby Blake e lavatório cerâmico, e um salão com dois sofás-beliche em pele Chesterfield que envolvem a proa e a popa em redor de uma mesa central articulada em fiddle. A cozinha possui um lava-loiça duplo em aço inoxidável, um fogão a gás de três bicos com forno e um frigorífico-congelador de 12 volts; a casa de banho tem uma sanita manual Baby Blake, lavatório cerâmico com torneiras de duche e soalho de grelha de teca. Um aquecedor Webasto, iluminação LED total e um sistema de água quente e fria sob pressão completam os sistemas de habitabilidade.
Problemas Conhecidos
Como um veleiro de madeira forrada da época de 1961, as vulnerabilidades conhecidas do Donella são as do seu tipo de construção e não de um design falhado. O forro de teca em trincaniz sobre cavernas de madeira dura requer calafetagem periódica, e a restauração de 1994–95 mostra que o convés e o casco foram novamente calafetados e selados com Sikaflex em 1995 e 2020, com uma calafetagem completa do casco, epóxi e pintura. Os conveses de teca e a superestrutura necessitam de uma manutenção contínua de verniz, renovada em 1997 e mantida desde então. O sistema elétrico foi completamente substituído em 1995 com cablagem e quadro novos, e o motor Perkins 4.216 — uma unidade de 1974 — foi completamente revisto entre 2003 e 2010, sendo novamente desmontado e minuciosamente reconstruído em 2020 com rolamentos, injetores, permutador de calor e escape novos. Um comprador deve interpretar estes pontos não como defeitos, mas como os cuidados cíclicos normais que um Giles de madeira exige.
Refits e Propriedade
A genealogia de refits das irmãs do líder da classe é extensa e tranquilizadora onde registada. Além dos trabalhos estruturais e de sistemas já mencionados, a restauração de 1994–95 reconstruiu totalmente o pico da cabine de proa, a casa de banho e a cozinha, instalou novas portas, substituiu o isolamento da casa das máquinas e montou novos passacascos Blakes. A capacidade dos depósitos foi modernizada com um depósito de combustível de aço inoxidável de 250 litros em 1995 e depósitos de água de aço inoxidável de 450 litros em 1998. O soalho do poço foi substituído por novos tacos aparafusados a parafusos de aço inoxidável, e um novo sistema de água sob pressão num invólucro de plástico rígido com aquecimento foi instalado em 1995. O equipamento de navegação e comunicações está completamente modernizado: radar de 1998, plotter cartográfico de 2015, piloto automático e rádio VHF DSC de 2020, e ecossonda de 2019, posicionados sobre o log de bordo e os instrumentos de vento originais da B&G.
O Veredicto
O Laurent Giles 43 Donella Class é um cruzeiro de madeira sério da mão madura de Jack Laurent Giles, construído por um estaleiro reputado e concebido em torno da habitabilidade sob o convés em vez da velocidade isolada. O seu casco mais cheio e a passagem contínua sob o convés refletem um projeto definido por um proprietário que queria um veleiro para viver a bordo, e o interior luminoso continua a ser lido como um passo deliberado em frente. Não é um barco de baixa manutenção, mas o historial de remodelações mostra que este tipo responde bem a uma manutenção cíclica disciplinada.
Prós
- Alojamento sob o convés com comprimento total sem um poço central
- Interior luminoso com grandes vigias e iluminadores de proa, uma inovação da época
- Aparelho cúter cuidadosamente equilibrado com enrolador moderno e mastros e aparelho reconstruídos
- Restauro estrutural e de sistemas minuciosamente documentado ao longo dos anos 1990 e 2020
Contras
- O forro de teca em estilo carvel exige calafetagem regular e manutenção com epóxi
- Os conveses de teca e a superestrutura envernizada exigem uma manutenção contínua
- O motor Perkins a diesel necessitou de duas grandes revisões em serviço







