Design e Construção
O casco é de fibra de vidro maciça laminada à mão com 5 pés de borda livre no topo do casco, uma escolha que garante volume interior e mantém as vagas de alagamento para baixo em tempo severo. O convés é essencialmente plano, exceto pela casaria elevada, que é uma estrutura quadrada alta de fibra de vidro com grandes vigias de proa e laterais; as superfícies laterais estendem-se para a ré sem luzes, tornando-se os assentos do poço e as braçolas. Os barcos mais antigos tinham vigias de vidro transparente com moldura de alumínio, enquanto os cascos mais recentes passaram para vidro fumado e, depois, plexiglass fumado plano, alguns com uma larga faixa horizontal a popa para apurar o visual. Os proprietários descrevem consistentemente o casco e o aparelho como pesados e robustos, e o leme é sobre skeg e relativamente grande, com muita aderência em qualquer rumo. A quilha em si é de ferro, fixada por parafusos de aço que passam através do casco de fibra de vidro, seguida por um sanduíche de contraplacado com cerca de 2 pés de largura ao longo de toda a quilha — a única madeira em todo o casco —, e depois mais fibra de vidro, com um canal de aço selado no interior com massa marítima e epóxi de qualidade marítima para colar o casco à quilha. Uma quilha de aleta profunda tem um calado de 7 pés e 3 polegadas e pesa cerca de 10 300 lbs, apresentando uma relação lastro-deslocamento de 41 %; a quilha de aleta pouco calada tem um calado de 5 pés e 3 polegadas, pesa mais 2 000 lbs e eleva a relação para 46 %. Com um deslocamento de 25 000 lbs, o 45 é uma forma de cruzeiro conservadora mas moderna, e não um veleiro de regata.
Aparelho e Manobra
Foram oferecidos tanto o aparelho sloop com aparelho à testa do mastro como o ketch com aparelho à testa do mastro; o ketch transportava cerca de 10 % mais área vélica, mas tinha um desempenho semelhante ao do sloop devido às ineficiências da mezena, sendo que a quilha de aleta profunda é a que apresenta melhor desempenho sob ambos os aparelhos. O mastro principal é implantado na quilha; no ketch, a mezena assenta sobre o skeg do leme, um detalhe estrutural sólido. A buja de trabalho é auto-virante no seu próprio carro e calha a proa do mastro, os molinetes de adriça situam-se nos mastros e apenas dois molinetes de escota ficam na extremidade de popa das braçolas do poço — um aparelho fácil de gerir, embora não haja espaço para adicionar mais molinetes ali. Um 45 com quilha de aleta e aparelho ketch apresenta uma relação área vélica-deslocamento de 14,6. Na água, a linha de transmissão está ligeiramente descentrada para estibordo, permitindo que a coluna e a hélice passem pelo skeg do leme para serem retiradas; a motor, a proa arriba para estibordo a partir de uma paragem total e o barco recua para estibordo. Um proprietário navegou a motor pela costa da Califórnia apenas com uma genoa de 150 % e o motor Perkins de 85 cv registou médias entre os 9 e os 13 nós. O poço é aberto a popa até ao convés de popa, os bancos são suficientemente compridos para se estar sentado, e por baixo de cada um existe um grande armário. (1)
Acomodações
No interior, o 45 possui um espaço volumoso com pé-direito total em todo o barco, dois bons camarotes, duas casas de banho e muitos com duche duplo. O salão elevado era frequentemente deixado sem acabamentos pela Columbia, permitindo aos proprietários construir à sua medida; alguns barcos adicionaram um posto de governo interior com roda de leme, controlos do motor e instrumentos. À proa e a estibordo encontra-se uma dinete subdimensionada para os padrões modernos — apenas para dois adultos — com uma cozinha envolvente a bombordo aberta ao salão, equipada com um fogão a gás e forno à proa, uma grande geleira a popa e um lava-loiça profundo com duas bacias à bordo. A casa de banho de proa com duche situa-se a bombordo, mas não tem uma escotilha de abertura; em frente fica um enorme armário de suspensão, e ainda mais a proa um camarote de proa em V com uma grande escotilha de abertura. A popa do salão, o camarote do armador ocupa quase um terço do volume interior do barco, com pé-direito total exceto por cima da cama, uma grande casa de banho privativa com duche separado e uma cama principal maior que uma cama de casal que se estende de bombordo a estibordo até à popa — interrompida no ketch pelo mastro de mezena. A flexibilidade é um ponto forte: a disposição adapta-se a uma tripulação maior. (1)
Problemas Conhecidos
A casaria desajeitada leva muitos a ignorá-la à primeira vista, e o sanduíche de contraplacado acima da quilha é propenso a apodrecer onde assenta no porão. Os depósitos de diesel de fábrica foram laminados no lugar e quase impossíveis de extrair sem grandes cortes. A posição exterior do lava-loiça da cozinha drena mal numa amura a estibordo se o cozinheiro não quiser pôr-se à capa. A ventilação é apertada perto do equador, e a falta de uma escotilha na casa de banho de proa não ajuda. Um 45 perdeu o seu estai de proa a 200 milhas da Austrália com 30 nós de vento e demorou quase quatro horas a montar um estai de emergência sem danos no mastro ou na cabine; outro foi encalhado em terra pelo Furacão Hugo, bateu num cais de betão e terminou no topo de uma casa com o casco ainda em bom estado quando foi retirado. (1)
Remodelações e Propriedade
As vigias com estrutura de alumínio nos primeiros barcos podem ser substituídas por plexiglass fumado, e as luzes fixas podem passar a ser de abrir, adicionando-se escotilhas e talas como muitos proprietários fizeram. Um ketch converte-se facilmente num sloop ao recolher a mezena e instalar uma retranca da vela grande nova, sendo o mastro principal do ketch da mesma altura que o do sloop, mas com uma retranca 1,5 pés mais curta. O acesso aos sistemas é excelente: grandes escotilhas no soalho elevado do salão expõem o motor, as baterias e os depósitos, facilitando reparações e atualizações. Um depósito de gás propano separado situa-se na arrecadação de popa, e o quadro elétrico fica convenientemente fora dos degraus do tambucho.
O Veredicto
O Columbia 45 é um motoveleiro robusto e espaçoso, com um casco conservador e um interior flexível que recompensa a personalização do proprietário. Não é um velejador de alta performance leve, mas os proprietários que o levaram a cruzar oceanos e furacões falam de um barco genuinamente resistente. A estética da casaria e alguns detalhes propensos à podridão são o preço a pagar.
Prós
- Interior volumoso com pé-direito e um camarote de popa que ocupa um terço do barco
- Casco e aparelho robustos com leme sobre skeg e historial comprovado de sobrevivência a tempestades
- Aparelho fácil de gerir com buja auto-virante e excelente acesso aos sistemas
- Potência auxiliar forte e configuração flexível em sloop ou ketch
Contras
- Quilha em sanduíche de contraplacado propensa a apodrecer; depósitos de combustível laminados e difíceis de remover
- Casaria pouco ágil; ventilação fraca perto do equador
- Dinete subdimensionada e problema de drenagem do lava-loiça da cozinha na banda de estibordo
- Cama do armador do ketch interrompida pelo mastro de mezena








