Design e Construção
O Oceanis 311 é um monocasco de deslocamento moderado em fibra de vidro maciça abaixo da linha de água, com um convés que utiliza tipicamente uma alma de balsa. O casco foi adaptado não apenas para o 31.7, mas também para o First 310, First 31.7 e Stardust 311, confirmando uma plataforma Finot versátil. As opções de obras vivas dividem-se em duas vias: uma quilha de aleta com bolbo e leme de pala, ou uma configuração de quilha retrátil de pouco calado com bolina dupla em alguns barcos, sendo esta última também registada como uma pala de leme suspensa de menor aspeto, com a hélice e o veio alojados num skeg. O convés com alma traz o risco familiar de infiltração de água nas passagens — candeleiros, cunhos, cadenotes — a menos que esses detalhes tenham sido bem vedados ao longo dos anos, e as quilhas de ferro fundido em certas versões exigem vigilância quanto à corrosão. (1)
Aparelho e Manobra
O 311 possui um aparelho sloop fracionado com mastros de alumínio e aparelho fixo em aço inoxidável 1x19: estai de proa, estai de popa, uma única cruzeta e uma única brandeira. A vela de proa enrolável padrão tem apenas cerca de 110% da área vélica ideal, e a vela grande tem menos valuma que a do First, pelo que o barco abdica de alguma área vélica padrão, algo que os velejadores notaram quando lhe faltava área vélica para o tempo com rajadas aparentes de 7 nós, mas que ainda assim deslizava facilmente com o empurrão certo. O manuseamento das velas é prático — os lazyjacks guiam a vela arriada para um saco de retranca com fecho de correr, um burro rígido segura a vela grande e um moitão de roldana única posicionado na valuma da popa gere o cabo de rizar, enquanto a escota da grande atravessa a escotilha principal. Na água, navega como um cruzeiro ligeiramente mais desportivo; as classificações PHRF situam-se numa faixa intermédia que reflete a intenção de performance de cruzeiro em vez de um puro pedigree de regata. Uma linha de água relativamente longa para o comprimento ajuda-o a manter bem o rumo com ventos de alheta e de través, embora em condições de vento forte e cruzado, o deslocamento mais leve signifique um movimento mais vivo do que o de cruzeiros pesados de quilha corrida.
Acomodações
No interior, o 311 aproveita ao máximo o seu comprimento com a boca bastante recuada e uma longa linha de água que faz com que o tambucho e o poço pareçam maiores do que o LOA nominal. As disposições de duas cabines estão otimizadas para a habitabilidade: um camarote com cama dupla a bombordo a popa, um camarote de proa em V duplo, uma cozinha prática a bombordo (ou a estibordo segundo outros registos) e uma casa de banho com uma pequena zona de navegação a estibordo. Uma mesa na linha de crujamento serve o salão, o pé-direito fica ligeiramente abaixo dos 6 pés e a escotilha principal é do mesmo material transparente que o teto da cabine por baixo dela. O camarote de proa em V e a casa de banho modesta mas funcional completam um conjunto destinado a cruzeiros ou utilização em charter, com conveses laterais largos e um poço relativamente protegido e com governo de roda acima.
Problemas Conhecidos
O convés em sanduíche é a fonte da fraqueza mais documentada do barco: infiltrações de humidade no núcleo do convés nas escotilhas e ferragens, ocasional delaminação ou fadiga perto das bases dos cadenotes, e alguns falhas ou desgaste nos mecanismos de quilha retrátil nos barcos equipados com este sistema. A opção de quilha retrátil aumenta a versatilidade para águas pouco profundas e situações de transporte em atrelado ou na praia, mas acrescenta complexidade através do seu molinete de âncora e do sistema de elevação, que se tornam focos de manutenção. Alguns proprietários relataram reparações estruturais em redor dos cadenotes ou fissuras locais no casco após cargas pesadas. (1)
Remodelações e Propriedade
As melhorias comummente recomendadas começam pela nova selagem das ferragens de convés para travar a infiltração de água no núcleo, seguida da atualização das válvulas de fundo e dos sistemas de água do mar, e da inspeção ou remodelação do mecanismo da quilha retrátil, quando instalado. Investir em eletrónica moderna e num bom conjunto de velas prolonga a utilidade do barco e o seu valor de revenda. O 311 padrão e as versões Clipper mais equipadas diferem pelo facto de o Clipper conduzir muitos controlos mais ordenadamente para a ré, uma característica útil para navegar com tripulação reduzida.
O Veredicto
O Oceanis 311 é um casco inteligente de Finot que supera os seus 32 pés sob velas e fundeado, herdando um fundo derivado da regata para oferecer volume e um casco rápido num conjunto manejável. As suas fraquezas estão concentradas no convés em sanduíche e no sistema de elevação opcional, ambos solucionáveis com uma gestão disciplinada por parte do proprietário.
Prós
- O casco de linhas de regata partilhado com o 31.7 oferece volume interno e um casco rápido
- A longa linha de água faz com que o poço e o tambucho pareçam maiores do que a LOA sugere
- Aparelho fracionado com detalhes práticos para manuseamento das velas (lazyjacks, burro rígido, moitão de rizar)
- A versão Clipper leva os controlos para a ré para facilitar a navegação com tripulação reduzida
Contras
- Convés com núcleo de balsa propenso a infiltrações de água nas ferragens e escotilhas
- Encaixes dos cadenotes sujeitos a delaminação ou fadiga; relataram-se fissuras em alguns cascos
- Os modelos com quilha retrátil aumentam a complexidade do molinete e do mecanismo, com risco de desgaste
- As quilhas de ferro fundido em algumas versões exigem atenção à corrosão









