Design e Construção
O J/24 é um monotipo de 24 pés com uma boca de 9 pés, quilha de aleta, lastro de chumbo e leme pendurado no espelho de popa. O casco é feito em fibra de vidro com malha e roving em resina, sendo que tanto o casco como o convés são sanduíches de camadas de fibra de vidro em torno de um núcleo de balsa de grão de ponta, o que os torna rígidos, leves, silenciosos e relativamente livres de condensação. A Tillotson-Pearson alisa as quilhas com massa para carroçarias, embora a secção da quilha seja muito mais espessa do que o necessário para a velocidade ideal e, em alguns barcos mais antigos, a aresta de fuga tenha o dobro da espessura mínima. Os cadenotes atravessam o convés e são aparafusados à antepara principal; o cadenote de estibordo passa através da antepara e do contra-molde do casco, enquanto o de bombordo passa apenas pela antepara, um detalhe resolvido após os primeiros dois anos, quando a antepara de bombordo ganhou reforço de fibra de vidro nessa área. O mastro passa através do convés sobre uma travessa de alumínio laminada à antepara principal. (1)
Aparelho e Manobrabilidade
Como um sloop com aparelho fracionado e mastros de alumínio, o J/24 possui uma secção de mastro Kenyon idêntica à do maior Etchells 22, e os brandais inferiores funcionam como brandais volantes porque se fixam a popa do mastro. O carro da escota da grande é aparafusado transversalmente aos assentos do poço, à proa da cana do leme, com molinetes no poço logo à sua frente, e um molinete de adriça situa-se sobre a casaria. O sistema de escotas nas extremidades da retranca e um burro da retranca de 4:1 — rodado em barcos mais recentes para ajuste a partir de qualquer um dos púlpitos — completam um conjunto simples e reativo. O veleiro é famoso pelo seu desempenho com vento fraco e é um barco de quilha altamente manobrável, fácil de aparelhar e fácil de navegar. Equilibra-se e navega bem à bolina sob a vela grande apenas, e os velejadores experientes observam que navega sempre melhor sem rizar, embora a sua calha estreita exija atenção constante ao ajuste do estai de popa, tensão das escotas, posicionamento do peso e tensão dos brandais inferiores. O seu rating PHRF de 165 a 174 coloca-o tão rápido ou mais rápido do que um C&C 30, Santana 30 ou Pearson 30, e a sua capacidade de resposta torna-o um barco de treino muito popular. (1)
Acomodações
No interior, o J/24 apresenta acabamentos em gelcoat branco bruto, com os primeiros barcos a ostentarem um gelcoat antiderrapante mais rústico no teto. A cabine aloja um camarote de proa em V dividido pelo mastro, mas ainda assim suficientemente grande para um casal, dois beliches de popa, uma sanita portátil, um lavatório com bomba manual e alguns armários para equipamento. O frigorífico é um Igloo portátil com teca colada, que também serve como degrau do tambucho. O barco acomoda confortavelmente quatro pessoas para cruzeiros curtos, mas o poço é pequeno e desconfortável para passeios diários — sem encostos nos bancos, uma retranca perigosamente baixa e uma genoa de 150 % que varre o convés e prejudica a visibilidade. Não há uma casa de banho portátil instalada, e o quinto membro da tripulação habitual nas regatas torna o barco, já de si pequeno, ainda mais apertado.
Problemas Conhecidos
A produção inicial trouxe uma série de fraquezas estruturais. Num artigo publicado na Practical Sailor, a vistoria revelou que os barcos construídos durante os primeiros dois anos apresentavam infiltrações na ligação casco-convés, onde o selante de silicone falhava; os cascos posteriores foram selados com 3M 5200 e as infiltrações tornaram-se infrequentes. A mesma publicação documentou que a antepara principal nos barcos mais antigos podia delaminar, fazendo com que o mastro afundasse um quarto de polegada ou mais, porque os cadenotes carregam diretamente sobre esse contraplacado; o estaleiro passou a usar contraplacado melhor e aparafusou as reforços. Os cascos anteriores a 1981 contêm vermiculita no poço da quilha para estabilizar os parafusos de quilha salientes, e uma vez saturada, este mineral perde a rigidez em comparação com a fibra de vidro maciça, enfraquecendo a ligação casco-quilha. As escotilhas nos primeiros barcos eram de fibra de vidro fina que deixavam passar água e fraturavam sob o peso da tripulação, até que, em janeiro de 1980, foram introduzidas escotilhas de lexan melhoradas na proa. Os foles do leme apresentaram fissuras de corrosão na soldadura à sua fixação após anos de utilização, embora os foles sem soldadura tenham surgido em 1981; as soldaduras na ligação do leme são geralmente conhecidas por estalar. Os primeiros Stern Twinstays falharam ocasionalmente quando os rolamentos congelaram com a idade, e alguns mastros Kenyon recentes chegaram com brandais de comprimento incorreto ou curvatura diferente. Os tapões da linha de rizes escorregam e são difíceis de operar, a cunha da escota da grande padrão roda no carro da escota, fazendo com que o ajuste a bolina a puxe para barlavento, e após uma ou duas temporadas a tampa do Igloo desintegra-se sob o tráfego de pessoas. O barco carece de flutuação positiva e já capotou em condições severas; flutua de lado com o tambucho livre, mas se um armário do poço à sotavento for deixado aberto, a água entra abaixo e faz o barco afundar, o que levou à adição posterior de anteparas que vedam os armários a partir da cabine.
Refits e Propriedade
As regras de monotipo mantêm os cascos mais antigos e bem mantidos competitivos, e os velejadores mais dedicados gastam entre 500 e 1000 dólares para que a quilha seja profissionalmente perfilada até às dimensões mínimas para obter uma vantagem. Muitos velejadores deslocam os molinetes do poço para a proa para que o caçador da genoa fique virado para a frente durante uma virada por avante. O suporte opcional de motor fora de bordo de fábrica possui uma dobradiça com mola para facilitar a montagem do motor, e a classe exige um motor fora de bordo mínimo de 3,5 cv, que é a única opção de potência, uma vez que um motor interior não é viável nem está disponível. O atrelado original de um eixo era apenas suficiente para o barco previsto de 2800 libras e inadequado para o mínimo posterior de 3100 libras da classe, pelo que atualmente é oferecido um atrelado de dois eixos. As velas não são fornecidas pelo estaleiro, deixando a afinação nas mãos de fabricantes comerciais de velas e da classe.
O Veredicto
O J/24 é um monotipo de regata puro que transformou a vela de fim de semana numa classe global. A sua leveza com núcleo de balsa, a sensibilidade do aparelho fracionado e a velocidade documentada com ventos fracos tornam-no uma ferramenta afiada, mas os defeitos do início da produção — delaminação de anteparas, acumulação de vermiculita nos poços das quilhas, fissuras em escotilhas e fissuras nos pernos de articulação — exigem uma seleção cuidadosa do casco. É mais adequado para regatas do que para o conforto em cruzeiro.
Prós
- Reconhecido desempenho com ventos fracos e aparelhamento fácil como um veleiro de quilha manobrável
- A supervisão proprietária do monotipo mantém os cascos mais antigos competitivos
- Casco e convés em sanduíche de balsa rígidos, leves e silenciosos
- Equilibra-se e navega à bolina apenas com a vela grande
Contras
- Inicialmente apresentou infiltrações casco-convés, delaminação de anteparas e problemas na união da quilha com vermiculita
- Poço pequeno e desconfortável, com retranca baixa e má visibilidade sob genoa
- Sem flutuabilidade positiva; risco de afundamento se o poço se abrir após capotagem
- Interior apertado; sem casa de banho equipada; tampa da geleira falha com o uso









