Design e Construção
Johnson manteve as linhas de arrufo básicas, a boca larga e a quilha corrida completa dos seus projetos de vela anteriores, mas enxertou uma nova popa em estilo "trawler" com um espelho de popa mais largo do que o típico dos veleiros para melhorar o desempenho a motor, combinando-o com um design de casco tradicional com uma roda de proa de tipo IP. O casco é uma unidade robusta de fibra de vidro maciça laminada à mão em peça única, e os conveses são um sanduíche Polycore bem fixado às bochechas largas do casco, mecanicamente e com adesivo de uretano. O robusto casco de peça única é feito de fibra de vidro maciça laminada à mão. Um rabicho prático estende-se da roda de proa até à popa, e uma plataforma de banho externa foi moldada diretamente no casco para garantir a sua integridade, com dois pequenos skegs adicionados na parte inferior de popa para compensar o abatimento causado pela flutuabilidade dessa plataforma. Uma plataforma de ligação de 12 polegadas e grandes imbornais evitam a infiltração de água, um detalhe importante num barco com esta quantidade de superestrutura. (1)
Aparelho e Manobra
O SP Cruiser reduz e simplifica o plano de velas em comparação com um veleiro puro, reduzindo as operações a uma vela grande enrolável no mastro sem carro da escota e uma pequena vela de proa auto-virante num retranca Hoyt. Um único molinete elétrico no lado de estibordo do poço de popa gere os poucos cabos necessários. A buja possui um retranca com perna de apoio que pode ser afastada do espaço de trabalho no convés de proa e deixada em qualquer posição. Escrevendo na Cruising World, os velejadores de teste registaram uma velocidade honesta de 6,3 nós sob vento de través de 16 nós através de uma vaga curta de Chesapeake, mas a revista salientou que o barco não foi projetado para navegar à bolina e que os 714 pés quadrados de área vélica não conseguiam compensar o peso substancial e a resistência aerodinâmica nesse rumo. Secções de popa largas e planas com um mínimo de altura livre no fundo melhoram o desempenho a motor, embora a Cruising World tenha relatado que a embarcação não bolinava bem e pudesse exigir a atualização opcional de uma hélice de proa para manobras em espaços apertados. Um motor Yanmar 4JH3 turbocompressor aciona uma hélice fixa de três pás, alimentado por um depósito de diesel de 215 galões, proporcionando uma autonomia de cruzeiro de 1000 milhas a 6 nós. As fontes divergem quanto à potência do motor, com uma a citar 100 e outra 110 cavalos. (2)
Acomodações
No interior, o barco apresenta-se mais como um salão elevado abrigado do que como uma cabine convencional. O posto de governo principal situa-se na linha de crujamento com um cadeirão do capitão giratório, e dois confortáveis cadeirões do capitão funcionam também como assentos duplos para o leme ou rodam para ficarem virados para a mesa do salão em formato de folha. Grandes vigias laterais e de popa oferecem uma vista panorâmica a partir dos sofás do salão em L, enquanto uma grande escotilha de convés sobre o posto de governo traz luz e ar. Três degraus abaixo encontra-se uma cozinha bem equipada a bombordo, com uma bancada molhada central, um amplo espaço de preparação e um enorme frigorífico por baixo; um fogão a gás propano de dois bicos e um forno situam-se a proa, com lava-loiça em ilha na linha de crujamento. O camarote do armador a proa possui um beliche duplo de acesso livre com dois armários suspensos e espaço para gavetas, enquanto um camarote de convidados com beliche duplo a popa a estibordo e uma casa de banho individual com uma enorme cabine de duche servem ambos os grupos. Mais de 300 pés cúbicos de arrumação e um pé-direito entre os 6 pés e 6 polegadas e os 6 pés e 10 polegadas completam uma disposição construída para uma vida prolongada e confortável a bordo.
Problemas Conhecidos
A curvatura do espelho de popa forçou uma porta de entrada descentrada, pendurada em dobradiças salientes que apresentam arestas cortantes na zona de embarque. Como a porta da cabine se situa desviada para bombordo, os controlos de governo e de escotas acabaram por ficar muito afastados um do outro — o que nunca é uma boa ideia num barco destinado a tripulação reduzida. Nenhum destes defeitos é estrutural, mas ambos refletem os compromissos de unir uma popa de arrastão larga a uma casaria de veleiro.
O Veredicto
O SP Cruiser é um motorsailer deliberado que troca a capacidade de bolinar por uma vida protegida ao nível de um trawler e uma forte autonomia a motor. O seu casco de fibra de vidro maciça, plataforma de banho moldada e precauções contra alagamentos falam de um estaleiro sério com vista à navegação oceânica, enquanto o aparelho simplificado e a disposição da casa do leme tornam fáceis as longas temporadas a bordo. As dobradiças das portas descentradas e as estações de governo/divisão de escotas são o preço a pagar pela disposição.
Prós
- Casco de fibra de vidro maciça laminado à mão com conveses em sanduíche Polycore
- Autonomia de 1000 milhas a motor com depósito de 215 galões e motor Yanmar turbocompressor
- Salão com pilothouse panorâmico, pé-direito generoso e mais de 300 pés cúbicos de arrumação
- Plataforma de banho moldada e ponte de ligação de 12 polegadas com grandes imbornais contra alagamentos
Contras
- Fraco desempenho à bolina; a área vélica de 714 sq ft não consegue compensar o peso e a resistência aerodinâmica
- A curvatura do espelho de popa produz pontas salientes agudas nas dobradiças da porta de entrada
- Os controlos de governo e escotas estão separados pela porta descentrada do camarote de bombordo








