Design e Construção
O casco é uma unidade de fibra de vidro moldada em único molde e sem alma, tendo adquirido mais tarde um núcleo de espuma de 2 mm apenas na proa para resistência aos danos causados pela água. O convés possui um núcleo de balsa de meia polegada para rigidez e isolamento com ganho mínimo de peso, e liga-se ao casco numa flange voltada para o interior com selante de butilo entre ambos, fixado por parafusos passantes através de uma regala de alumínio perfurada — uma assinatura da C&C. A quilha inclinada para a ré está fixada com parafusos de aço inoxidável, e o perfil original de barbatana de tubarão com leme de pala cedeu em 1976 a um leme de aspeto elevado tecnicamente melhorado, cujo inclinação padrão posiciona a extremidade de fuga bem para a ré do espelho de popa. A característica exterior mais distintiva é o par de caixas de dorade construídas no teto da cabine, de cada lado do mastro; o seu papel principal é a ventilação da cabine, com o benefício secundário de reforçar o teto da cabine e fornecer plataformas de montagem planas.
Aparelho e Manobrabilidade
O mastro assenta sobre a quilha e passa através do teto da cabine, apresentando um aparelho à testa do mastro com uma única verga de cruzamento e brandais e estais totalmente em aço inoxidável. O mastro está posicionado bastante para a ré para abrir um grande triângulo de proa típico do sloop à testa do mastro tradicional, e o estai de popa único original passou mais tarde a estar disponível como opção bifurcada. A escota da grande na extremidade da retranca desliza num carril logo a proa do posto de governo, e os molinetes principais das velas de proa situam-se nas braçolas ao alcance da roda de leme ou da cana do leme. A retranca situava-se originalmente a 5 pés e 6 polegadas acima do soalho da cabine até que uma ordem de design de 1978 a elevou um pé para segurança no poço, uma alteração aplicada aos barcos subsequentes. O perfil pronunciado do casco eleva a borda livre na proa, mantendo o convés de proa relativamente seco numa vaga curta, enquanto um poço profundo com braçolas altas acrescenta proteção. Os testadores consideraram-no um barco rápido e rígido que se delicia com ventos mais fortes, apresentando um efeito do passo da hélice moderado para bombordo em marcha-atrás; as classificações PHRF variam entre 174 na Baía de São Francisco e 180 na Chesapeake.
Acomodações
A generosa boca de 10 pés resulta numa cabine confortável com pé-direito — 6 pés e 2 polegadas no salão segundo medições posteriores. Duas camas de proa em V de 6 pés e 4 polegadas situam-se sob prateleiras de arrumação, com uma casa de banho e toucador a bombordo e um armário de suspensão com prateleiras a estibordo logo a popa. A cabine principal combina uma grande mesa de refeições a bombordo com um sofá-beliche a estibordo, e a cozinha divide-se ao longo do tambucho: uma geleira e área de preparação a bombordo, com o fogão e o lava-loiça opostos a estibordo. O soalho da cabine é em gelcoat texturizado.
Problemas Conhecidos
Na varagem, o barco apresenta frequentemente um ligeiro "sorriso" na ligação casco-quilha, um sinal estético e estrutural que vale a pena verificar para detetar parafusos folgados ou falha no vedante. Pequenas infiltrações de água surgiram no núcleo de balsa do convés perto dos cadenotes e outras passagens, a vulnerabilidade esperada em conveses com sanduíche onde as ferragens têm fugas. A base do mastro era de carvalho até ao casco 651 e propensa a enfraquecer; a partir do 652 em diante, uma peça fundida de alumínio resistiu a esse defeito, pelo que os cascos mais antigos merecem inspeção da base e da estrutura circundante. (2)
Refits e Propriedade
Originalmente projetado para governo com cana do leme, o barco rapidamente passou a oferecer e mais tarde a padronizar o governo com roda de leme, embora o pedestal acabe por reduzir o espaço no soalho do poço. Os primeiros barcos vinham equipados com o motor a gasolina Universal Atomic 4, com um motor a diesel Westerbeke monocilíndrico em alguns exemplares iniciais; a opção de motor a diesel Yanmar QM15 foi utilizada até ao casco 675, seguida pelo Yanmar 2GM a partir do 676. A construção em oito fases levava 32 dias úteis, com uma produção máxima de um barco concluído a cada quatro dias — uma linhagem de produção consistente e bem documentada para um proprietário que avalie uma configuração específica de número de série.
O Veredicto
O C&C 30 Mk I é um veleiro de regata-cruzeiro rígido, seco e acessível, cujo aparelho passante, caixões de bolina ventilados e disciplina constante de evolução técnica refletem um design de produção maduro. Os pontos fracos são contidos e bem conhecidos: infiltrações no convés com núcleo de balsa nas passagens e a base do mastro em carvalho inicial. Para um velejador que procura o toque clássico da C&C sem sistemas exóticos, este modelo recompensa uma inspeção cuidadosa, atenta ao número de casco.
Prós
- Rigidez excecional e uma proa seca com borda livre alta na vaga
- Aparelho à testa do mastro com o pé na quilha, com grande triângulo de proa e molinetes de fácil acesso pelo posto de governo
- Cabine espaçosa com pé-direito alto e cozinha prática em divisão dupla
- Produção longa e bem documentada com ordens de alteração rastreáveis
Contras
- "Sorriso" casco-quilha e saturação do núcleo do convés perto das passagens
- Carlinga do mastro de carvalho nos primeiros cascos vulnerável ao enfraquecimento
- O sistema de governo de roda invade o espaço do soalho do poço









