Design e Construção
O caminho de Hinterhoeller até ao Shark passou por um sloop de contraplacado de 22 pés com quina viva chamado Teeter Totter, que construiu atrás da sua casa em Niagara-on-the-Lake; depois aumentou o comprimento de projeto para 24 pés e começou a construir Sharks de contraplacado naquela mesma oficina. A transição para a fibra de vidro ocorreu no quinto casco, construído para Bill O'Reilly, que exigiu o então novo material. Os cascos de fibra de vidro exigiam 18 horas-homem contra as 128 necessárias para a madeira, e os barcos de fibra de vidro eram praticamente isentos de manutenção como âncora. Hinterhoeller admitiu que as dimensões do Shark são mais adequadas para um tanque, e os proprietários que levaram o projeto para o mar alto confirmam este facto: Randall Peart relatou nenhum dano estrutural e nenhuma antepara a flutuar após navegar de Ohio para o Lago Erie, Bahamas, Miami e Inglaterra via Canárias. Toda a alteração desde o projeto original tem sido cosmética, pelo que a premissa estrutural permaneceu fixa. (1)
Aparelho e Manobrabilidade
O Shark possui um aparelho fracionado de baixo aspeto de 7/8 com cruzetas para a ré e um leme de pala elíptico pendurado sob uma quilha de aleta e uma quilha pesada abaixo. O seu plano vélico centra-se numa vela grande de 116,69 pés quadrados, uma buja de 115 % de 73,67 pés quadrados, uma genoa de 150 % de 114,14 pés quadrados e um spinnaker de 180 % de 232,83 pés quadrados, geridos por 14 cabos de manobra. Escrevendo no boats.com, os revisores notaram que o casco estreito, a roda de proa reta e a longa secção plana à popa conferem-lhe capacidade de planeio, e o barco pode atingir velocidades superiores a 10 nós. A análise editorial Sailboat Data & Sail Specifications considerou-o célebre pela simplicidade, durabilidade e manobrabilidade viva, oferecendo uma navegação rígida e reativa com ventos de 5 a 20 nós, com uma estabilidade surpreendente para o tamanho da sua âncora. O lastro de ferro de 675 libras contra um deslocamento de 2200 libras resulta numa relação lastro-deslocamento de aproximadamente 48 %, e com uma boca de seis pés e menos de quatro pés de calado, mantém-se fácil de governar e rápido. (2)
Acomodações
No interior, o Shark é um pequeno cruzeiro com pé-direito sentado sob uma casaria, apresentando um beliche em V e dois beliches de popa com lavatório, fogão e geleira. Esse interior apertado é o compromisso para um casco de 24 pés cujo verdadeiro objetivo era a velocidade, mas torna o barco genuinamente útil para passeios diários e curtas viagens costeiras. A associação de classe ativa controla rigorosamente as regatas da frota, impõe um peso mínimo de regata uniforme e publica uma newsletter da classe chamada Sharkscan, que mantém a disciplina monotipo intacta na frota de 2500 barcos.
Herança de Regatas
O historial competitivo do design explica o seu caráter de culto. Hinterhoeller tripulou um Shark na Freeman Cup de 1960, o barco venceu novamente aquele percurso em 1963 e, na edição desse ano da regata de Niagara-on-the-Lake para Rochester, o designer registou uma passagem de sete horas e 44 minutos. Sid Dakin obteve uma média superior a 10 nós de Toronto para Olcott, e os proprietários posteriores aumentaram a autonomia: Clive O'Connor navegou até Melbourne em 1972, Peart cruzou para a Inglaterra e Bob Lush adicionou um pé à popa para cumprir o limite de 25 pés da classe OSTAR. Com um PHRF entre 240–246, o Shark mantém-se ideal para regatas de clube, permanecendo acessível para novos timoneiros.
Remodelações e Propriedade
A propriedade é facilitada pela estabilidade das especificações da classe e pela taxa de sobrevivência da frota: praticamente todos os barcos construídos nos últimos 35 anos ainda estão a navegar. A única remodelação estrutural notável registada é a extensão de popa feita por Lush para se qualificar para travessias transatlânticas em solitário, um lembrete de que as dimensões robustas do casco convidam a uma utilização audaz. Como todas as alterações pós-1959 são cosméticas, um comprador pode tratar um exemplar bem mantido como sendo fundamentalmente o mesmo barco que Hinterhoeller desenhou.
O Veredicto
O Shark 24 é uma raridade: um pequeno monotipo que corre com força, cruza o mínimo e sobrevive a décadas sem pedir desculpa. As suas origens em contraplacado e a transição precoce para a fibra de vidro marcam-no como um verdadeiro pioneiro, enquanto a sua velocidade e rigidez o tornam um prazer quando o vento sobe.
Prós
- Primeiro casco de produção em fibra de vidro com dimensões robustas e historial comprovado de sobrevivência no alto-mar
- Manobrabilidade viva e rígida, com capacidade de planeio e potencial para atingir os 10 nós
- Classe monotipo massiva com associação ativa e regras controladas
Contras
- Apenas pé-direito sentado e comodidades de cruzeiro mínimas
- A boca estreita de seis pés limita o volume interior
- A evolução apenas cosmética significa que não existem opções de casco ou aparelho modernizados








