Design Brief e Objetivo
A principal missão do Morgan 36-4/6 era oferecer um desempenho genuíno e competitivo sob as regras IOR vigentes na época, mantendo um interior civilizado e acolhedor para cruzeiros de fim de semana e de férias. Nelson/Marek desenharam um casco elegante e moderno com uma entrada relativamente fina, uma boca moderada bem distribuída para a ré e um perfil equilibrado. Este design contrastava fortemente com as formas volumosas e de borda livre alta que anteriormente definiam as linhas de produção da Morgan.
Sob o convés, os acabamentos em madeira refletem uma melhoria significativa de qualidade em relação aos esforços anteriores da Morgan. O salão é decorado com teca rica, apresentando uma disposição clássica que oferece lugares para dormir para até seis ou sete adultos, dependendo da configuração exata. Inclui um confortável camarote de proa em V, um salão central com sofás a bombordo e a estibordo, uma cozinha em U funcional, uma mesa de cartas dedicada e um beliche de popa privativo. Em vez de parecer um casco de regata despido, o acabamento interior exibe uma excelente carpintaria, anteparas de laminado sólido e ventilação adequada. Este equilíbrio tornou o barco altamente atraente para famílias de "velejadores de clube" que queriam ganhar troféus aos sábados e fazer cruzeiros confortáveis aos domingos.
Variações e Configurações
Para satisfazer as diferentes restrições regionais de calado, a Morgan ofereceu o casco em duas configurações subaquáticas principais. A versão padrão com quilha de aleta, frequentemente designada como Morgan 36-4, possui uma quilha de aleta profunda de chumbo de aspeto elevado, com um calado de 6,67 pés. Esta versão de grande calado está otimizada para a máxima sustentação e desempenho à bolina.
Para os velejadores que navegam nas águas pouco profundas da Costa Leste, da Florida e dos Grandes Lagos, a Morgan ofereceu a versão de quilha com bolina, frequentemente designada como Morgan 36-6 ou Morgan 366. Esta variante de pouco calado apresenta uns modestos 4,83 pés (4'10") com a bolina recolhida, permitindo o acesso a baías pouco profundas, mas desce até aos 6,92 pés com a bolina de fibra de vidro totalmente estendida para recuperar a capacidade de orçar.
As opções de aparelho incluíam um sloop com aparelho à testa do mastro padrão e uma opção de mastro alto ("TM" - Tall Rig), que adicionava uma potência crucial em locais de ventos fracos como a baía de Chesapeake. O departamento de propulsão foi padronizado em torno do fiável motor a diesel Universal-Atomic de 25 cavalos JSON (tipicamente o Universal 5424 ou M30 de 3 cilindros), que tem fácil acesso por trás das escadas do tambucho.
Desempenho à Vela e Manobrabilidade
A avaliação dos parâmetros técnicos da embarcação revela um desempenho enérgico. Com uma relação área vélica-deslocamento (SA/D) de 19,09 JSON, o veleiro tem potência de sobra para acelerar com vento fraco, tornando-se uma máquina muito reativa em percursos lacustres e costeiros. Sob velas, o leme é leve e comunicativo. A relação deslocamento-comprimento (D/L) de 208,63 JSON situa-se exatamente na categoria de deslocamento moderado, permitindo ao veleiro realizar viradas por avante limpas à bolina sem perder velocidade na vaga.
Uma relação lastro-deslocamento (B/D) de 33,61% JSON mantém o veleiro razoavelmente rígido com vento fresco, embora, como muitos designs influenciados pelas regras IOR do início da década de 1980, o casco seja relativamente estreito na linha de água em comparação com os modernos cruzeiros de "boca larga". O barco navega melhor quando navega direito; recomenda-se rizar cedo assim que o vento ultrapasse os 15 nós para evitar um adorno excessivo e orçadas bruscas por perda de eficácia do leme.
O coeficiente de capotagem de 2.07 JSON está próximo do limite para as clássicas travessias oceânicas, indicando uma forma de casco que favorece a velocidade costeira, embora o seu coeficiente de conforto de 21,81 JSON garanta um comportamento seco e previsível em mares costeiros moderados, em vez do adornar desordenado típico de barcos de regata mais leves e de fundo plano.
Problemas Conhecidos e Diagnóstico
Os potenciais compradores devem estar atentos a algumas vulnerabilidades estruturais críticas, específicas da forma como a Morgan interpretou os planos de design originais. Mais notavelmente, os tirantes sob o convés (conhecidos como "jock straps") são um tema de discussão frequente entre os proprietários. Durante a produção, consta que a Morgan interpretou incorretamente os desenhos estruturais de Nelson/Marek para a base do mastro e para o conjunto da antepara. Em vez de construir um conjunto de base de mastro soldado que se aparafusasse de forma limpa à antepara principal, a Morgan construiu uma caixa sólida e cortou uma secção substancial da antepara principal para a acomodar. Sob carga, a base do mastro e o casco fletiam em direção oposta à antepara, comprometendo as ligações de fibra de vidro (tabbing).
Para resolver a tensão do aparelho e a elevação do convés, foram instalados tirantes diagonais de cabo de aço (ou tirantes diagonais de aço) entre os cadenotes e a base do mastro. Os compradores devem inspecionar estas ligações de fibra de vidro entre a antepara e o casco para verificar se existem fissuras ou separação. Muitos proprietários experientes resolveram isto definitivamente reforçando a antepara principal com contraplacado marítimo, aplicando fibra de vidro com epóxi até ao casco e eliminando os incómodos tirantes de cabo de aço na cabine.
Adicionalmente, como muitos barcos desta época, o convés foi construído com sanduíche de balsa. Os pontos de montagem das ferragens que não foram devidamente selados com epóxi podem sofrer infiltrações de água e apodrecimento localizado do convés. Finalmente, inspecione o leme de pala para verificar se existe folga no tubo do leme, uma vez que os rolamentos e as camisas do veio se desgastam ao longo de décadas de uso ativo.
Modernização e Melhorias
Para os proprietários contemporâneos, o Morgan 36-4/6 oferece uma excelente plataforma para modernização. Como o compartimento do motor está localizado numa posição central, é extraordinariamente adequado para a substituição direta por novos motores a diesel ou para a conversão para sistemas de propulsão elétrica.
Dada a excelente capacidade de orçar do veleiro, os proprietários que pretendem fazer cruzeiro substituem frequentemente os molinetes de convés originais e sobredimensionados por unidades modernas autocazantes, e transferem o carro da escota da grande — que originalmente se situava a meio do poço — para cima da casaria, de modo a libertar espaço no poço. A atualização do banco de baterias para Lítio-Fosfato de Ferro (LiFePO4) é uma remodelação DIY popular, uma vez que os espaços sob os sofás do salão oferecem um local seco e de fácil acesso para alojar sistemas modernos de gestão elétrica.
O Veredicto
O Morgan 36-4/6 é uma escolha inteligente para o velejador atento ao orçamento que recusa sacrificar as sensações da vela por espaço habitável. Desenhado por um dos melhores gabinetes de regata da década de 1980, oferece uma orça precisa, velocidades rápidas com vento portante e uma resposta de leme muito gratificante. Embora exija uma inspeção minuciosa das anteparas entre os cadenotes e a base do mastro, um modelo devidamente revisto oferece uma excelente capacidade de cruzeiro e ainda consegue arrecadar troféus no clube náutico local.
- Pontos Fortes:
- Desempenho excecional com ventos fracos a moderados e excelente capacidade de orçar
- Carpintaria interior de alta qualidade com acomodações confortáveis para cruzeiro
- Toque de leme reativo, leve e envolvente
- Opção de quilha com bolina de pouco calado disponível para regiões de águas pouco profundas
- Casco de fácil deslocamento que se comporta bem com um motor modesto de 25 cv
- Pontos Fracos:
- Design de fábrica da base do mastro e da antepara vulnerável, exigindo frequentemente reforço
- Os tirantes internos da cabine ("jock straps") podem dificultar a passagem para a proa se não forem modernizados
- Convés em sanduíche de balsa propício a apodrecimento se as ferragens não tiverem sido devidamente seladas
- Pode revelar-se mole em rajadas fortes, exigindo rizar cedo para manter o controlo








