Columbia 36 Mii — análise, ficha técnica e anúncios

William Crealock·1970·Columbia Yachts
Columbia 36 Mii drawingDesenho do estaleiro
Tipo de casco
Monocasco · aleta
Aparelho
Sloop à testa do mastro
LOA
36.17' · 11.02 m
Desloc.
13.200 lbs · 5.987 kg
Primeiro ano
1970

O Columbia 36 Mark II, frequentemente designado em registos de produção e registos de proprietários como Mii, representa um passo evolutivo crítico na construção de barcos de série do final do século XX. Lançado em 1970 como um sucessor refinado do design original de 1967 de William Crealock, o Mark II foi projetado pela Columbia Yacht Corporation para afastar a gama do compromisso de um regatacruzeiro em direção a um veleiro de cruzeiro dedicado e oceânico. Construído em Costa Mesa, California, durante o auge da revolução da fibra de vidro, o barco apresenta as transições de raio acentuado e as especificações de laminado sobredimensionadas características dos primeiros estaleiros de produção em série, que ainda estavam a descobrir os imensos limites estruturais do plástico reforçado com fibra de vidro. A assinatura inconfundível de Crealock é visível nas proporções equilibradas e marinheiras do casco, embora a sua linha de arrufo plana e as vigias da cabine com moldura de alumínio contrastem com a estética tradicional de popa de canoa que ele mais tarde desenvolveu para a Pacific Seacraft.

Medidas

Dimensões 01

Comprimento total (LOA)
36,17 ft
Comprimento no convés
Comprimento na linha de água (LWL)
27,75 ft
Boca
10,5 ft
Calado
5,25 ft
Pé-direito máximo
Calado aéreo

Construção e casco 02

Construção
Fibra de vidro
Tipo de casco
Monocasco
Tipo de quilha
Aleta
Leme
1× De pala
Lastro
5.000 lbs
Deslocamento
13.200 lbs
Capacidade de água
100 gal
Capacidade de combustível
29 gal

Aparelho e velas 03

Tipo de aparelho
Sloop à testa do mastro
Gratil da vela grande
34,7 ft
Pujame da vela grande
14 ft
Altura do triângulo de proa
41,8 ft
Base do triângulo de proa
15 ft
Comprimento do estai (estimado)
44,41 ft
Área vélica
556 sqft

Cálculos 04

Relação área vélica-deslocamento
15,92
Relação lastro-deslocamento
37,88
Relação deslocamento-comprimento
275,76
Coeficiente de conforto
29,4
Coeficiente de capotagem
1,78
Velocidade de casco
7,06 kn

Conceito e Objetivos do Design

O Columbia 36 Mark II foi concebido para velejadores que procuravam uma plataforma fiável e robusta para cruzeiro costeiro e eventuais viagens de longo curso. Crealock procurou maximizar o volume interior, a capacidade de carga e a estabilidade de rumo. Para alcançar este objetivo, o Mark II sofreu alterações estruturais e dimensionais substanciais em comparação com o Mark I original. O comprimento total (LOA) foi ligeiramente aumentado para 36,17 pés, e o casco recebeu uma laminação mais robusta que aumentou o seu deslocamento para 13 200 libras. Para compensar este peso e manter a estabilidade, o calado foi ligeiramente reduzido para 5 pés e 3 polegadas, tornando o barco altamente prático para navegar em águas costeiras e baías mais rasas.

A autonomia em cruzeiro foi o foco principal do novo design, destacando-se um enorme aumento na capacidade de água doce para 100 galões, permitindo a casais em cruzeiro permanecerem autónomos muito mais tempo do que em veleiros de cruzeiro de tamanho médio comparáveis da época. A disposição interior é tradicional e altamente funcional, trocando o luxo repleto de teca pela durabilidade de baixa manutenção. Um teto moldado em fibra de vidro é laminado a um convés com alma (sanduíche), e os acabamentos de carpintaria apresentam uma mistura de laminados práticos e guarnições de teca. A disposição inclui um camarote de proa em V, uma dinette em U a bombordo que se converte em beliche duplo, uma cozinha longitudinal a estibordo e um beliche de popa ou mesa de cartas oposta à casa de banho fechada.

Variações e Configurações

Embora a forma principal do casco tenha permanecido consistente ao longo de toda a produção, a Columbia ofereceu várias configurações de aparelho e de obras vivas para se adaptar às condições de navegação regionais. O aparelho standard de sloop à testa do mastro era ocasionalmente substituído por uma opção de mastro alto (tall-rig), que apresentava um mastro dois pés mais alto para otimizar o desempenho em regiões de ventos fracos. Também foi produzida uma mão cheia de aparelhos yawl personalizados.

A configuração da quilha apresenta a sua própria história. Crealock desenhou originalmente uma quilha de pouco calado semelhante ao design de uma quilha Scheel, mas, alimentando dúvidas pessoais sobre a sua eficiência a bolinar, negociou com a Columbia a sua substituição por uma quilha de aleta tradicional caso os primeiros testes de mar desiludissem. Fiel às suas previsões, la opção inicial de pouco calado foi descontinuada nos primeiros cinquenta cascos, deixando a quilha de aleta profunda e inclinada para a ré como o apêndice padrão de produção. Além disso, embora as brochuras originais de fábrica listassem o lastro como chumbo sólido, variações no fornecimento de material na fábrica da Whittaker Corporation resultaram em alguns cascos individuais equipados com quilhas de ferro encapsuladas ou aparafusadas.

Desempenho à Vela e Manobrabilidade

Avaliar o Columbia 36 Mark II através das suas relações de design revela um barco construído para a segurança e não para a velocidade. Com uma relação área vélica-deslocamento (SA/D) de 15,92, o veleiro tem uma área vélica relativamente reduzida para os padrões modernos e requer uma brisa forte — tipicamente de 10 a 12 nós — para atingir o seu potencial. Com pouco vento, depende fortemente de grandes velas de proa sobrepostas para manter o rumo.

A sua relação deslocamento-comprimento (D/L) de 275,76 coloca-o firmemente no escalão de deslocamento moderado a pesado. Em termos práticos, esta elevada inércia de deslocamento traduz-se numa navegação excecionalmente confortável e previsível. O casco mantém o seu avanço através de mar de proa picado com o mínimo de impactos de proa, poupando a energia da tripulação em passagens longas. Este comportamento marinheiro é apoiado por um coeficiente de conforto de 29,4, que limita os movimentos de adornamento rápidos e fatigantes.

Com um coeficiente de capotagem de 1,78, o Mark II situa-se com segurança abaixo do limite crítico de navegação oceânica de 2,0, provando a sua estabilidade física inerente e capacidade de auto-endireitamento para cruzeiro de alto mar. A favor do vento, o barco mantém muito bem o rumo a um largo. Ao navegar à bolina, desenvolverá uma ardência acentuada se estiver com demasiada vela. Os timoneiros consideram que rizar a vela grande cedo mantém o barco plano e o leme leve e responsivo. A motor, o leme de pala proporciona uma excelente manobrabilidade, mas o veio da hélice está singularmente localizado na extremidade de ré do skeg, colocando a hélice perto da superfície e atrás do leme. Esta geometria cria um efeito do passo da hélice muito pronunciado em marcha-atrás, o que exige prática ao sair de marcha-atrás de um lugar de marina apertado.

Problemas Conhecidos e Diagnóstico

Décadas de serviço evidenciaram várias áreas distintas que requerem diagnóstico estrutural no Columbia 36 Mark II. O mais famoso é o "Columbia Smile", uma fenda cosmética ou estrutural que se pode desenvolver na extremidade de vante da ligação casco-quilha. Isto ocorre devido a uma ligeira flexão ou encalhe e é tipicamente resolvido descendo a quilha, limpando as superfícies de contacto, aplicando novamente um adesivo de poliuretano flexível e voltando a apertar os parafusos da quilha.

A própria fixação da quilha merece uma inspeção minuciosa. Muitos cascos utilizaram prisioneiros de aço galvanizado roscados diretamente na quilha de chumbo. Com o tempo, a infiltração de água leva à corrosão por frestas, reduzindo estes prisioneiros a vestígios cobertos de ferrugem. A reparação aceite consiste em abrir e roscar novos furos no lastro de chumbo, instalando varões roscados de bronze de alta resistência ou de aço inoxidável.

O suporte do mastro é outro ponto fraco comum. O mastro assente no convés é apoiado internamente por um pilar de compressão de madeira. Embora a coluna superior esteja protegida, a secção inferior do pilar assenta no porão, abaixo do soalho da cabine. Se os proprietários anteriores permitiram que a água do porão ficasse por esgotar, este bloco de madeira inferior apodrece, levando ao abatimento do soalho da cabine e à deflexão do convés sob a tensão do mastro.

Como a maioria dos barcos desta época, o convés com alma de balsa é vulnerável à penetração de água. Cadenotes, bases de candeleiros e passa-mãos com fugas permitem que a água apodreça a alma de balsa, resultando em pontos moles e delaminação que exigem a substituição local da alma. Por fim, as molduras de alumínio originais das vigias são propensas a fugas crónicas à medida que as massas de vedação de fábrica secam, necessitando de um processo completo de remoção e nova vedação.

Modernização e Melhorias

O projeto de modernização mais significativo para um Columbia 36 Mark II envolve a propulsão auxiliar. O barco vinha originalmente equipado com um motor a gasolina Universal Atomic 4 de 30 cavalos. Embora estes motores sejam simples de manter, os riscos de segurança de transportar gasolina a bordo e o seu consumo de combustível relativamente elevado tornam-nos candidatos ideais para substituição. A maioria dos cascos modernizados foi remotorizada com motores diesel pequenos e fiáveis, como um motor Yanmar, Beta Marine ou baseado em Kubota de 20 a 30 cavalos, o que melhora significativamente a autonomia de cruzeiro e a fiabilidade.

Os proprietários que planeiam cruzeiros prolongados também atualizam extensivamente o sistema elétrico. A cablagem original raramente é de fio estanhado de grau marítimo e é propensa à corrosão. Os barcos modernizados apresentam tipicamente quadros elétricos DC completamente novos, alternadores de alto rendimento e bancos de baterias de fosfato de ferro-lítio (LiFePO4) apoiados por painéis solares montados no convés. A instalação de uma hélice dobrável ou de pás giratórias moderna é também uma melhoria comum para reduzir o arrasto nas obras vivas e melhorar o controlo em marcha-atrás.

Panorama do Mercado e Economia

No mercado de usados, o Columbia 36 Mark II representa um perfil de valor excecional, oferecendo uma enorme quantidade de deslocamento e espaço de habitabilidade para um custo de aquisição inicial relativamente baixo. Como estes barcos foram produzidos em série e têm agora várias décadas, não atingem os preços elevados dos veleiros de cruzeiro semi-personalizados de prestígio.

No entanto, os potenciais compradores devem fazer as contas cuidadosamente antes de avançarem para a compra. O custo de uma remotorização profissional a diesel, da substituição completa da alma do convés e de velas novas pode facilmente exceder o valor de mercado do veleiro. Por esta razão, o barco faz mais sentido económico para um velejador experiente na vertente "faça você mesmo" que consiga realizar reparações estruturais e trabalhos de motor de forma independente, transformando um casco de projeto económico num cruzeiro pronto para o oceano.

O Veredicto

O Columbia 36 Mark II é um cruzeiro robusto, honesto e capaz que supera as expectativas para a sua classe em termos de navegabilidade pura e volume interior. Embora lhe falte a carpintaria delicada e a capacidade de bolinar de veleiros topo de gama, a laminação à prova de bala do seu casco, o pedigree de design de Crealock e o excelente comportamento no mar tornam-no uma escolha excecional para velejadores com orçamento limitado que apontam para horizontes distantes.

Prós

  • Casco de fibra de vidro sólida extremamente espesso, laminado manualmente, altamente resistente a danos por impacto
  • Design de prestígio de William Crealock, proporcionando um comportamento marinheiro e confortável com mau tempo
  • Enorme capacidade de água doce de 100 galões, ideal para cruzeiros de longo curso
  • Excelente estabilidade de rumo e manuseamento fácil ao navegar a favor do vento
  • Ponto de entrada muito acessível para um verdadeiro veleiro de capacidade oceânica

Contras

  • O motor a gasolina original Universal Atomic 4 requer uma manutenção meticulosa e acarreta riscos de segurança inerentes
  • Suscetível a infiltrações de água na alma de balsa do convés e a apodrecimento no pilar de compressão inferior montado no porão
  • Propenso a uma ardência acentuada à bolina se a vela grande não for rizada cedo
  • Molduras de alumínio antigas das vigias exigem uma reinstalação trabalhosa para estancar fugas
  • Efeito do passo da hélice pronunciado em marcha-atrás devido ao posicionamento invulgar do veio da hélice atrás do leme

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